8.12.07

Oca Brasil Bar e Restaurante

Como qualquer boêmio de Barão Geraldo, as opções, a certa altura da madrugada, se definham como saideiras nos bares do Cambuí. Chegamos em quatro pessoas ao que parecia ser a melhor opção a 1h30 da manhã - havíamos passado pelo Seu Jorge e diante de uma animação fúnebre seguimos em frente ao que parecia ser um bar convidativo. Paramos no Oca Brasil Bar e Restaurante.
Muito maior do que eu lembrava da construção meses atrás, entrei no local com idéias maiores. E todos sabem que quanto maior a expectativa, maior a decepção. Não demorou muito a chegar.
Cinco minutos sentados, chega a mocinha, antes mesmo do garçom, mostrando comandas que deveriam ser retiradas na entrada do bar. Não pegamos porque não havia uma viva alma para entregá-las. Chega, enfim, o garçom.
O pedido foi: uma cerveja Original a R$5.20 e uma água a R$3,20.
Alguns longos minutos depois - aqueles que não se sabe contar, mas se sabe que demora mais do que o esperado - o baldinho de gelo chega à mesa com duas cervejas e a água. Gentileza do garçom que já previu que aqueles quatro clientes iriam consumir mais que uma garrafa. Rapaz sábio.
Recebemos o menu, diga-se de passagem, de costas para minha pessoa. Abri, folheando as duas páginas do extenso menu e resolvemos pedir um porção de Picanha com pão.
R$22,50.
Eu pedi uma porção de salaminho, R$10,50, que veio com extrema rapidez, inversamente proporcional à habilidade da garçonete em dispor pratos, palitos e potinho com ketchup na mesa.
Ao final da segunda garrafa de cerveja chega a porção de picanha.
Ou o que era para ser.
Diálogos efusivos sobre a origem da carne não chegaram a conclusão alguma: coxão mole, duro, contra-filé, o que seria aquela porção que chegou a nossa mesa?
Picanha não era.
E a única carne que leigos boêmicos entendem é picanha, devido ao alto conhecimento de preparo de churrasco.
O garçom foi chamado. A reclamação foi feita. E seria repassada. O gerente chegou e o ápice da noite estava ali: desculpas atrás de desculpas. Desde não conhecer bem o fornecedor até afirmar que aquele bar no qual estávamos não havia, ainda, sido inaugurado. Na realidade, era tudo um sonho. O bar não existia.
Pedidos de desculpas, um amigo muito estressado, um gerente que não creio conhecer muita coisa de empreendimentos ou gerência de bares e, finalmente, a certeza de que não pagaríamos por picanha, carne qual a procedência, origem e animal, não se sabia de fato.
O local, em si, resumia a palavra da noite: brega.
Somava tudo: graduandas da Pedagogia dançando no palco, o som que antes era MPB se transformando em pagode, a decoração que pendia entre indígena e indiana (foque no fato de que o bar se chama Oca e propõe-se a ser construído como uma), muita luz onde deveria ser meia-luz, cadeiras desconfortáveis, banheiro cheio de vômito e muito espaço para nada.
O potencial do local é enorme. Mas conseguiram fazer o impossível: transformar o que chamam de bar e restaurante em um local onde não se pode comer decentemente e nem beber a um preço razoável. Que fosse feita uma pesquisa onde indicasse que a cerveja ali não é feita de ouro.
Pontos fortes: aberto até mais tarde (mas até onde vai a vontade de sair?) e garçom experiente em servir cerveja. Queria poder falar mais.
Considerar que ir à um lugar e já saber na cara que não vai voltar é ponto forte?
Não sei se a casa abre de dia, para almoço. Mas como todo estabelecimento em Barão Geraldo, que quer agradar à gregos e troianos, não duvido que seja servido um sushi com feijoada a módicos 30 reais o quilo.
Não recomendo, a não ser que você esteja comemorando sua graduação por lá e qualquer coisa seja bem vinda, dada toda a tristeza de conhecer o mercado de trabalho que virá pela frente.

Passe longe:
Avenida Santa Isabel (logo depois do Rudá)
Barão Geraldo
Campinas - SP
Visitado em: 7 Dezembro 2007

4 comentários:

Camila disse...

Mudou! Bom, pelo menos eu acho! Fui recentemente pra lá e adorei.. quer dizer, talvez estivesse vazio por causa desse passado aí, mas, pra mim, que cheguei sem saber, foi ótimo! A banda era ótima, samba rock daki de Campinas mesmo, a porção que pedimos estava ótima e a cerveja mais barata.. Uma pena descobrir que não estava vazio devido a burrice dos Campineiros de irem sempre parar no Cambuí..

André disse...

Ri muito!

Encontrei em alguém a personalidade de um ilustríssimo amigo que infelizmente não compareceu ao OCA bar, no dia que fomos (27/09), pois certamente eu também daria altas gargalhadas com as definições dele sobre aquele local.
Eu, como sou uma pessoa humilde e de pouco senso de "observação" quando estou ao lado dos meus amigos, mesmo assim, pude perceber diversas falhas que só de lembrar, já penso duas vezes em "aparecer" novamente por lá. Garçons que só atendem quando você segura a cerveja no alto da cabeça com os braços estendidos não por menos de 3 minutos sem descanso, banheiros sem papel e sabão, um nojo. Sem contar as coisas que eu costumo desprezar, decoração, mesas de sinuca pixadas como paredes. É uma pena. Tem potencial mas falta profissionalismo. Cordialmente falando..

Barão disse...

Temos algo muito importante a Dizer!!

Barão disse...

É meus Amigos gostariamos de dizer o mesmo, porém queremos participar vocês de um fato;
Nós da comunidade local (Burato,
Vl. Sta Isabel, Vl. São Jose), estamos a 1 ano meio com um problema muito grande: desde que este bar abriu, não coseguimos dormir.
Pense, se sua casa se tornasse um local onde você não quer estar devido ao barulho produzido por um bar, neste caso o Oca Brasil.
Quando ele começou a ser construido achamos um local belo e realmente é, onde poderíamos frequentar e levar os amigos que veêm de fora.Com o tempo vimos que o caráter do bar não cabia onde foi instalado, já que nas proximidades há muitas residências. A música sempre muito alta indo até a madrugada, nos tira o direito de repouso de terça a domingo. Nós tentamos falar com o proprietário Fabrício e este não nos deu ouvidos, sendo grosseiro não mostrando o mínimo de interesse, a policia já foi ao local inúmeras vezes, a prefeitura lacrou o local uma vez, mas não se posiciona de forma a resguardar nossos direitos.
Fica aqui um apelo:
Se vocês teem um pouco de consciência social não vão ao OCA BRASIL, há outros bares que respeitam as leis e a comunidade local.
Dormir é um direito de todos.
Agradecemos a atenção,
Comunidade local