11.11.08

Chopp Time

A primeira idéia que se passa quando o nome de um bar remete a um programa de TV de vendas de produtos sem muito uso é a mesma de quando o tal programa passa na TV: você não quer ficar assistindo, mas acaba perdendo algumas horas com ele.
O bar é realmente bonito, todo em madeira, com três espaços - exterior, interior e mezanino. Banheiro limpo, arejado e sem filas. O bar trabalha com os insuportáveis e inaudíveis cantores de banquinho e violão, com o mesmo repertório e volume acima do necessário. Couvert de R$4.
O tardar da noite não impossibilitou alguns chopes, que, evidentemente, eram trazidos com maior vagareza ao passar dos minutos. A cozinha demorou a fechar e pude pedir um Cambuí Street Especial, que consistia em diversas carnes, queijo, molhos e gorgonzola. O que eu senti foi gorgonzola, com molho de gorgonzola e pedaços de gorgonzola. R$20. O cardápio é um pouco confuso pela variedade e quantidade de opções; há quem ache muitas opções uma boa qualidade mas creio que menos é mais - assim como o gorgonzola deveria ser.
Os chopes eram marcados em uma comanda na mesa o que facilitou a contagem, nem muito alta, de quantos reais seriam gastos lá. R$3,90 tulipa de 300 ml.
Os garçons estavam pedindo educadamente que fôssemos embora dado que não havia mais uma viva alma no bar e os funcionários já estavam fazendo a ceia. Como não haveria mais nenhum outro bar em que se pudesse chegar as 3 da manhã e a conta já estava salgada, decidimos aceitar o pedido e ir embora.
O bar abre para almoço, happy hour e jogos de futebol. Assim como o canal de compras, muitas opções sem muita qualidade em cada, mas razoável se você não tem uma variedade de escolha.

Passe longe:
Centro de Convivência - Cambuí - Campinas
Couvert médio: R$30

9.11.08

Pernil

Sou bastante fã de um boteco e normalmente não me importo com o que seria de relevância para outras pessoas - clientes, comida, bebida, condições do banheiro; porque, afinal, trata-se de um boteco. Domingo a tarde estava no Pernil, relativamente um boteco novo, que, em seu início ficava aberto 24h. Creio que a quantidade de bêbados da madrugada fizeram os donos mudarem de idéia.
Poderiam, também, mudar de idéia em relação ao preço da torre de chopp Germânia (R$25) e a quantidade de oléo na coxinha (fritura em imersão é para poucos). Por muito tempo deixaram uma placa onde estava escrito "diz-se que aqui se come o melhor lanche de pernil de Campinas". Não tive coragem de experimentá-lo depois de um vislumbre na coxinha e no lanche de bacon que um amigo pediu.
O local é extremamente abafado, mesmo aberto nas laterais, lembra uma cantina de escola e a TV sintonizada no Faustão não agradou ninguém.
A conta ficou bastante alta, considerando que estávamos em 7 pessoas.
Acho que mudei de idéia: para o Pernil ser chamado de boteco tem que melhorar muito. Ainda é café com leite, e nem daqueles que a gente pede com pão na chapa nos botecos mais podres.

Passe longe:
Pernil
Av. Orosimbo Maia
Campinas
Couvert médio: R$20

8.11.08

Barril da Máfia

O Barril da Máfia comemora 10 anos de existência em 2008. Lembro-me perfeitamente de quando conheci o bar, recém inaugurado, conversando com a dona na mesa, pouca gente na pista e um potencial gigantesco. O bar começou a fazer muito sucesso, a lotar a casa todo final de semana sempre, basicamente, com o mesmo público – pessoas na faixa dos 25 a 30 anos de idade. Eu, na época, tinha 18 e gostava do bar com bandas bacanas como Fred Jorge e os Maiorais no impressionante palco que fica em cima do bar.
Fiquei alguns anos sem passar por lá, mas mais recentemente, devido a predileção por botecos, possibilidade de conversar sem gritar e ausência de pessoas com mais de trinta anos que se vestem como se tivessem 18 e agem como se tivessem 15. Nesse sentido, não ouvi mais falar do Barril, a não ser por email, recebendo a programação do bar, sempre com as mesmas bandas.
Foi então que um amigo resolveu comemorar o aniversario e aniversário é mandatória a presença. Foi então que cheguei ao Barril da Máfia as duas da manhã de sexta para sábado. Poder entrar nesse horário foi uma surpresa, logicamente, considerando Campinas, a cidade do “vamos tomar um de café de madrugada em vez de se divertir”. O cidadão que me atendeu, com seu mau humor intrínseco de quem está de pé de madrugada – mas que não deveria considerando o trabalho que está prestando, nos avisou em voz robótica, como telemarketing, do funcionamento da casa.
E seguem as mudanças da última vez em que fui lá: entrada mulher de R$15, homem R$17, apenas para sorrir. Fumar não se pode lá dentro, então se quiser, somente fora da casa, onde notei que é onde os papos mais efusivos acontecem. Seguindo a tendência de servir cerveja bem, vende-se Guinness lata por R$18, com possibilidade de Skol por R$7.
O que ficou do mesmo foram as mulheres de trinta e poucos anos que se portam como se tivessem 18 – e eu, quase com trinta, consigo achar ainda mais ridículo – a pista lotadíssima, sempre animada e o palco em cima do bar. A tendência anos 80 juntamente com o público que nasceu nessa época foi trazida pela banda Blackout (muita música pra bêbado dançar e lembrar de qual novela foi aquela trilha sonora).
Em 1h45 minutos gastei R$90 (em duas pessoas), ouvi Marina Lima e Midnight OIl, assisti tentativas frustradas de pessoas balzaquianas parecerem descoladas e resolvi ir embora. Creio não ter mais paciência para o Barril da Máfia; ou esgostei a vontade pelas diversas vezes que fui no passado longínquo ou virei uma pessoa de quase 30 que não suporta baladinhas de quem acha que não tem 30.


Passe Longe:
Rua Dom Pedro I, 390
Guanabara - Campinas - SP
(19) 3241-0982
Couvert médio: R$40

3.9.08

Clube Kraft

Me encontrava na fila do suposto clube mais descolado de Campinas a 1h30 da manhã de sexta para sábado esperando pra ver Gui Boratto. Atrás de mim, um grupo de três garotos que sotaque que variava entre paulistano e campineiro contando dos finais de semana em Maresias e na minha frente um casal que fazia malabarismos para atender telefone, acender cigarro, colocar pulseirinha de área vip e continuar se beijando.
Fiquei feliz que entrei na fila correta, aquela de nome na lista, com uma hostess que deveria trabalhar de agente funerária tamanha a depressão. O frio que fazia fora da casa foi compensado brutalmente pela sauna que estava dentro e a cerveja que serviria para refrescar foi tomada 10 minutos depois de chegar ao bar.
A variedade de público da Kraft é imensa, desde os playboys que estavam perto de mim na fila até reggueiros, o pessoal GLS, os homens maduros que acham que tem 18 anos, os zilhões de meninos com bonés, os clubbers e qualquer outro tipo de pessoa. Descobri que o melhor jeito para ninguém esbarrar em você, te queimar, ou derrubar cerveja é dançar porque, de alguma forma, entra-se no ritmo de todos.
Impressionantemente, não esperei para ir ao banheiro, dada a ausência de meninas surtadas que normalmente se encontra em filas de banheiros. Ponto positivo.
A apresentação do Gui Boratto foi ótima, até onde eu possa achar, dado todo o desconhecimento desse tipo de música.
Foi uma experiência interessante mas, realmente, não o meu tipo de lugar.
O clube tem outros tipos de apresentações que não somente eletrônica, como rock (Matanza e Muzzarelas) e samba-rock (como Fred Jorge) o que aumenta ainda mais o leque de opções.
A decoração é diferente, local bastante escuro, com três áreas diferentes, pessoal bastante animado – embora às vezes a animação parecia princípio de briga e o atendimento no bar era condizente com o tanto de gente lá dentro.
É, na realidade, o único lugar que pode-se chegar às 4 horas da manhã e entrar sem problemas, o que, em Campinas, é um oásis – se você gosta desse tipo de balada.
Com nome na lista, paguei R$30,00 de bônus no bar (eufemismo para consumação obrigatória) e gastei mais que isso (Skol em lata R$5,00, Stella Artois RS7,00). Entrada de R$15,00.
Mesmo não tendo adorado o lugar, posso afirmar que prefiro ir lá todos os fins-de-semana à ir em qualquer boate que o pessoal que estava atrás de mim na fila deve ir quando não está na Kraft.

Passe lá (se for sua praia):
Rua Carolina Florence, 1121
Taquaral
Campinas
(19) 32426356
Couvert médio: R$40,00

17.8.08

Bar do Italiano

O Bar do Italiano abriu no cambuí há cerca de quatro meses e há dois meses que passo em frente e nunca entrei, até hoje. Por fora, me parecia um pub e o nome macarrônico me deixava questionando à respeito do tema do bar. Trata-se de um bar que não vi em Campinas ainda, embora ele lembre alguns bares que duraram na cidade por algum tempo, como uma junção de características deles. O Bar do Italiano é todo colorido por dentro, com paredes e vigas de cores diferentes, decorado com quadros de bandas e de cervejas importadas, mesas que poderiam ser de cafés, ambiente que lembra lanchonete carioca que vende suco e uma meia luz típica de bares. No entanto, toda essa confluência de fatores deixou o ambiente com uma cara única e, principalmente, aconchegante demais para os clientes. A música também contribuiu, variando entre clássicos dos anos 60 até Michael Jackson - que tocava quando cheguei e continuou a tocar por um bom tempo.
A hostess foi extremamente simpática e, melhor ainda, eficiente. Os garçons, todos novos e cheios de sorrisos, sempre atentos. O dono do bar, naturalmente o Italiano, aceitou sugestões de cervejas no cardápio.
O bar trabalha com diversas cervejas importadas e nacionais, desde a Weistephaner até a Colorado de Riberão Preto. A escolhida por mim foi a lata de Guiness (R$14,00) que não me foi servida no copo gelado. A casa trabalha com um cardápio de saladas, pratos, porções e lanches todos evidentemente temáticos de acordo com a cultura italiana e usando diversos ingredientes que remetem ao país. Escolhi o lanche no pão (não italiano dessa vez) com mussarela de búfala, rúcula, copa e azeite (R$16,00) muito saboroso e quentinho. A cozinha fechou por volta de meia-noite e fui embora do local (com todas as cadeiras em cima das mesas) as 2h30.
O Bar do Italiano destoa dos bares do cambuí, talvez por isso eu tenha gostado tanto e já colocado na lista dos favoritos. As pessoas que estavam por lá variavam de adolescentes hypados até grupos de 30 e poucos anos.
Pra quem não for tão noturno, o bar abre para almoço também.

Passe lá:
Rua Conceição, 860
Cambuí - Campinas
Telefone (19) 3294-4842
Couvert médio: R$40,00

http://www.bardoitaliano.com.br/

11.7.08

Bar do Spaguette/Scooby

Tenho duas lembranças fortes do Scooby: primeira, quando este se chamava Scooby ainda e eu ia para lá ao invés de assistir aula do cursinho. A segunda foi quando me formei na faculdade e por motivos socialistas não tive uma festa de formatura e fui comemorar por lá. A primeira lembrança é de um bar que ficar aberto o dia todo e, de dia, poucas pessoas estão por lá, ainda mais em dia de semana. O sol da tarde é gostoso, o bar está limpo e a cerveja gelada. A segunda lembrança me remete à baratas no chão, putas, travestis, bêbados, pedintes e loucos de forma geral sentados na mesa ao lado, ou apenas como transeuntes do bar.
Voltei lá na quarta-feira durante um jogo do São Paulo. O bar é reduto de sãopaulinos e, por conseguinte, eu era uma das poucas mulheres por lá.
Sem problema algum, mesa cativa, jogo na TV, pessoas ensandecidas, cerveja gelada e muito dos personagens da segunda lembrança marcante. As baratas, no entanto, não estavam presentes. Mesmo assim, não me arrisquei a pedir nada da cozinha, mesmo ela a minha vista e o cheiro de bacon provocando meu estômago.
Pela ausência feminina em massa, o banheiro ainda tinha papel higiênico e o chão estava limpo. Pela presença masculina em massa, as brigas aconteceram.
O Spaguette, ou Scooby, como eu ainda me refiro, é um boteco clássico, daqueles que as pessoas podem terminar a noite e iniciar sua manhã bem embriagados. Caso queira ir sem esbarrar com as pessoas da noite, aquela fauna que faz parte dos botecos das 3 da manhã, passe lá entre 7 e meia noite. Caso contrário, a visão é péssima, os bêbados amigos querem ficar seu amigo e a cerveja nem tem mais sentido.
Muito menos o lanche de pernil.
Mas ainda é o clássico boteco para o qual se recorre quando a névoa da cerveja não se esvai e tudo o que se quer é continuar bebendo. Sem ligar muito para a fauna cativa do local.

Passe longe:
Bar do Spaguette/Scooby
Av. Júlio de Mesquita com Rua Benjamin Constant
Campinas - SP
Courvet médio: R$15,00
Aberto praticamente 24h

5.7.08

Empório do Nono

Barão Geraldo hoje em dia possui diversos bares para todos os tipos de gostos (mas sem exageros). O Empório do Nono, no entanto, existe desde que o bairro tinha mais barro que bares e continua no mesmo lugar, com a mesma clientela fiel e os maravilhosos petiscos que acompanham a cerveja ou o chopp gelados.
O Nono, como os mais chegados chamam, possui cadeiras na calçada e um ambiente interno aconchegante, bom para os dias de frio. O bar sempre está lotado, em sua maioria por pessoas na faixa dos 30 anos (e mais) e alguns jovens perdidos que tenham mais dinheiro no bolso. Realmente, não é um boteco barato, mas compensa quando o que se pede é o tira gosto de balcão, porção que vem 3 ou 5 petiscos diversos que ficam expostos no balcão - desde azeitonas e queijos, até berinjela empanada com tomate seco. É possíver beber Original, Serramalte e Norteña e o chopp da Brahma.
Os garçons são sempre muito atenciosos embora os mais novos por lá não tenham o mesmo jeito cativante dos que tem anos de casa.
Logicamente, quando te avisam que a cozinha está fechando, em aproximadamente 40 minutos o bar também fecha ou o serviço fica lento para conseguir mais cerveja. A saideira não é costumaz a não ser que você tenha gasto por volta de 200 reais na conta total da mesa.
O Empório do Nono é ideal para happy hour, para uma passada rápida antes de ir para um bar mais agitado e até mesmo para curtir um show com músicas do Chico Buarque toda última quinta-feira do mês. Vá pelos petiscos, pela conversa com amigos interessantes, pela visão da avenida logo à frente. E com dinheiro no bolso.

Passe lá:
Empório do Nono
Av. Albino J. B. de Oliveira, 1128
Barão Geraldo - Campinas
Couvert médio: R$30,00

http://www.emporiodonono.com.br/index.htm

Bar do Jair

O Bar do Jair está em Campinas desde 1989. Eu conheço o bar há pouco tempo mas cheguei a frequentá-lo antes de passar por reforma e ficar gigantesco. O interessante desta reforma é que, mesmo bem grande, o Bar do Jair mantém a atmosfera de boteco e, melhor, de boteco de faculdade. É possível ver todas as figurinhas da Unicamp por lá, bebericando uma cerveja e se deliciando com a maior variedade de baixa gastronomia que já vi. O bar era conhecido pela maravilhosa coxinha de frango e, diante da demanda, creio, criou diversos outros tipos da iguaria, desde a de carne seca até a de berijela para os sempre presentes vegetarianos.
Eu recomendo, no entanto, o lanche de pernil, obrigatório para minha pessoa toda vez que resolvo ficar lá por algumas horas. O atendimento é rápido se você está sentado em uma mesa perto do balcão, mas, de forma geral, os garçons são eficientes (e parecem se divertir tanto quanto os clientes quando a banda começa a tocar).
O ambiente é decorado com bandeiras, uma TV enorme para jogos de futebol, um canto para bandas diversas e muito boas, mesa de sinuca, um banheiro em cada canto do bar e muitas mesas.
O bar, no entanto, fecha cedo, e à uma da manhã já se ouve que a cozinha e o bar estão fechando. Não muito difícil se receber a conta antes de pedí-la. Mas a saideira sempre vem, se se pede com jeitinho para algum garçom de bom humor.
Estacionar o carro é um sufoco se se chega tarde (vulgo 9 da noite), sentar na parte nova com bandas muito empolgadas não permite conversas e erros de quantidade de cervejas na conta acontecem frequentemente. Mas ir com os amigos, comer muito bem e aproveitar esse tempo até ser mandado embora vale a pena.

Passe lá:
Bar do Jair
Rua Eduardo Modesto, 212
Barão Geraldo - Campinas -SP
Couvert médio: R$20,00

http://www.bardojair.com.br/bar.htm

29.4.08

Sabor do Sul (Bar do Seu Pereira)



O Sabor do Sul, para aqueles que o visitam com mais freqüência, ou para aqueles que como eu ao se sentirem confortáveis em um bar já se sentem amigos do dono, é chamado mais informalmente de Bar do Seu Pereira.
O lugar é um empório/restaurante que parece uma antiga vendinha de produtos onde, no lugar dos produtos de limpeza, tem-se diversos tipos de cerveja. O solícito Seu Pereira, assim como seus garçons, explicam detalhadamente qual o tipo de cerveja pode ser bebido de acordo com seu paladar ou sua curiosidade.
Eu, muito curiosa e sedenta por conhecimento, comecei com a Colorado de Ribeirão Preto, passei para Wiehenstephaner, depois para uma Heineken long neck porque nenhum dos homens da mesa queriam continuar bebendo.
O bar do Seu Pereira fica sozinho na rua, aberto até à uma da manhã de terça a domingo e deixa mesinhas na calçadas que são uma delícia para acompanhar o não-movimento da rua.
A idéia de cidade de interior, com o dono do bar conversando com os clientes quando requisitado, a cerveja no ponto certo e com uma variedade incrível deixam o Sabor do Sul propício para fins de tarde e começos de noite apropriados para conversas com amigos.
O local faz propaganda de almoço, como feijoada de 4a e sábado mas posso dizer que à noite o clima é realmente convidativo. E para não faltar conhecimento ao conhecedor e curioso das diversas cervejas que o empório vende, são oferecidas degustações com pequenas palestras ao preço de R$15,00.
Vale a pena matar a sede pelo conhecimento. Muita sede.

Passe lá:
Empório Sabor do Sul
Rua Coriolano, 969
Lapa - São Paulo
11-3801-8259
Visitado em 26 Abril 2008

10.4.08

Cafezal em flor

Soube no sábado em que fui ao Cafezal em flor que o bar existe há 13 anos.
Foram 13 anos que passaram em branco para mim em relação à existência desse bar.
Contudo, andando pelas ruas do cambuí e me deparando com uma lotação incomum no Álcool Íris, me dirigi ao bar outrora ignorado.
Estava muito frio no sábado mas mesmo assim a espera fora do bar, em mesas altas com bancos altíssimos não passou de 15 minutos e logo pude entrar e me sentar em uma mesa confortável. Impressionante poder entrar as 11 da noite e ser bem recebida. Contudo, fui informada que o bar fecharia a uma da manhã o que me causou uma certa descrença dado que todas as mesas estavam lotadas. Descobri ao final da noite que, como nos pubs britânicos, bate-se em um sino e os clientes são avisados que a partir dali somente será servida a saideira.
Ao abrir o cardápio tive uma feliz surpresa ao notar que não se tratava de um cardápio comum de bares, com as típicas porções de batata frita e mandioca. Havia ali diversos tipos de saladas, escondidinhos e tábuas de frios e petiscos. Achei deveras interessante e dado o clima extremamente romântico do bar - em todas as mesas, sem exceção, só tinha casais - pedi um porção de escondidinho de camarão com abóbora e uma porção de cebolinhas picantes em conserva. O último pedido não recomendável a quem esteja em um primeiro encontro, mas deliciosa se a companhia também aprecia o prato.
O garçom estava muito bem humorado embora não muito veloz, mas pude apreciar alguams cervejas bem geladas e uma comida bem preparada que, embora tenha demorado mais que o normal para chegar à mesa, estava deliciosa.
O ambiente é também muito interessante, em uma casa muito antiga, com tijolos a vista e iluminada com diversas velas. A penumbra enfatizava ainda mais o clima romântico e as músicas, embora não do meu gosto, estavam interessantes - num sentido de que eram melhores do que músicas de elevador.
O Cafezal é interessante quando se tem o propósito de sair em casal, para namorar, beber pouquinho, comer bastante e conversar. O bar possui até uma pequena sala-lounge, em frente aos banheiros, na qual é possível se sentar e namorar. Mais.

Passe lá:
Rua Diogo Prado, 40
Cambuí
Campinas - SP
Visitado em 5 Abril 2005

11.2.08

Ilê bem Brasil

Especial Ilha Grande - Angra dos Reis - Rio de Janeiro

Como todo paulista diante da chuva ou se vai às compras ou ao desbunde gastronômico. Quando se se encontra em uma pequena ilha, com uma pequena vila, todo o artesanato local começa a se tornar repetitivo e não se quer mais comprar camisetas, cangas ou canecas com o nome do local; parte-se então para todos os restaurantes da região, degustando da comida de praia que sempre é boa com sol. Sem sol, a paulista aqui fica mais chata.
Passei o carnaval em Ilha Grande no Rio de Janeiro e postarei algumas críticas de restaurante visitados em todos os dias de chuva que fiquei por lá.
No primeiro dia em que cheguei, sábado a noite, cansadíssima, resolvi que ia comer fora porque A) não havia restaurante na pousada e B) pior que a irritação da demora da viagem só a de fome mesmo.
Segui por uma rua muito charmosa, chamada de Buganville, onde se encontravam algumas lojas, pousadas e restaurantes. Depois de um pequena análise crítica de quem havia viajado 7h de carro, esperado 2h30 pela escuna e depois pego um percurso bem conturbado de mar de 1h45, decidi que o jantar, às 22h, seria no restaurante Ilê bem Brasil.
Ilê bem Brasil, descobri no dia seguinte, também vende brincos, bolsas e tem um estúdio de tatuagem. Aquela hora da noite tinha somente um casal e poucas mesas e achei que um restaurante brasileiro seria ótimo; sem frescura, sem demora, comida de casa logo na mesa.
Ledo engano.
Ilê bem Brasil se auto denomina restaurante de comida brasileira, vegetariana e internacional, com uma bela bandeira brasileira no nome. Deveria ser o cansaço, mas decidi ficar por lá.
Fui extremamente bem atendida, por uma garçonete que acho ser filha da dona do local que me levou o cardápio, extremamente enxuto, e voltou a cozinha.
Como não estava sozinha o pedido foi de duas cervejas, que descobri na hora que foi servida se tratar de lata (R$3,00) e quente. O pedido foi um escondidinho de camarão (R$7,00), um salada variada (R$17,00) e um cozido de legumes com carne de sol (R$37,00).
Vamos à parte boa do restaurante: decorado com pequenos livros de literatura de cordel pendurados em um varal, meia luz em todo o ambiente, clima intimista e romântico e atendimento atencioso.
Agora vamos a todo o resto: no total o serviço ficou em duas horas, desde a cerveja quente à conta que demorou seis chamados sem efeito pela garçonete. O escondidinho chegou, bem quente, mas sem qualquer tempero. Sal e pimenta foram requisitados e o pedido de desculpas chegou em seguida pela demora em sua entrega. O molho de pimenta estava divino e quando perguntei quais pimentas ali tinham não obtive resposta pois o molho era comprado e não feito por lá - diga-se de passagem, o que era mais saboroso por lá.
Quinze minutos depois chegou a salada, que consistia em quatro folhas de rúcula, beterraba e cenouras raladas, queijo indefinido e cebolas em conserva. Tudo quente.
Mais vinte minutos e chega a panela de ferro com o cozido de legumes e arroz. Começo a mexer na panela, procurando o que queria comer e notei que não havia carne. A carne de sol que imaginei ser cozida juntamente com os legumes.
Pergunto a garçonete onde está a carne de sol e ela me diz que não existe neste prato. Digo que não e ela corre à cozinha para perguntar. Recebo a resposta de que a carne vem à parte.
Chega, então, a suposta carne de sol. Um contra-filé em porção para quatro pessoas - e estávamos em duas, com sal grosso aparente e completamente crua no meio. E ouço mais um pedido de desculpas.
A fome era maior que qualquer coisa, então cerca de metade de toda a comida foi consumida, entre reclamações de como a carne estava crua e salgada e o cozido sem sabor algum.
Não sei realmente o que foi pior: o cansaço da viagem e a única vontade de matar a fome, ou a expectativa por causa do cansaço de que aquele restaurante poderia ser minimamente bom.
Somente sei que a mesa ao meu lado teve suas pessoas indo embora entre a entrega do menu e a volta da garçonete, talvez por ter ouvido todo tipo de reclamação sobre o seviço e a comida que eu tinha consumido.
Se a idéia é se alimentar em Abraão, definitivamente não vá ao Ilê bem Brasil. Quem sabe comprar bolsas e fazer tatuagens seja mais interessante, porque comida, realmente, não é o forte deles.

Passe longe:
Galeria/Rua Buganville
Abraão - Ilha Grande - Angra dos Reis - RJ
Visitado em 2 Fevereiro 2008

25.1.08

Kabana

Kabana é um bar de praia sem estar na praia. Esse é a primeira impressão que se tem do bar, com areia no chão, várias plantas perto de uma parede pichada com grafites exclusivos e pessoas que se importam mais em se divertir que se vestir bem para a balada.
A área externa do bar é composta por várias mesas, as quais são disputadas a tapas e sempre ocupadas com pessoas que ora conversam, ora estão de olho em outras pessoas.
Kabana é bar de paquera e de muita conversa.
Os djs que animam a noite estão sempre mais focados em reggae, mas também existem as noites rock e samba rock, muito animadas na pista de dança em frente ao balcão. Lá, na verdade, é onde todos mais se divertem, mesmo envoltos em cotovelos, cervejas e muita gente.
O bar oferece um dos lanches mais simples, contudo um dos mais pedidos, que tem a alcunha de boiola, feito de pão francês, tomate, azeite, queijo fresco e orégano. Um dos mais pedidos da casa e com certeza, um dos mais saborosos. Para aqueles que querem matar a fome, o X-kabana consegue satisfazer os mais famintos de todos.
Os garçons e garçonetes são sempre pessoas muito gentis que conseguem, no meio de tanta gente, trazer sua cerveja gelada em pouco tempo.
A entrada no bar é bem dilatada, podendo estar lá até duas e meia da manhã, o que é extremamente significativo no meio boêmio campineiro.
O lado ruim, se é que pode-se falar isso, é que de sexta-feira o bar lota bastante e a fila para entrada é bastante grande.
Preste atenção na decoração do bar, desde a parede do balcão até as portas dos banheiros.
É um bar para quem gosta de se divertir, beber à vontade, sem se preocupar com divisão de contas - afinal a comanda é individual e quer chegar tarde em casa.
É um dos bares que mais recomendo e um dos poucos que Campinas realmente precisava.

Passe lá (mas passe mesmo):
Avenida Romeo Tórtima, 485
Barão Geraldo - Campinas-SP
Tel: 3289-8216
Visitado em 18 Janeiro 2008
www.kabanabar.com.br

City Bar

Qualquer campineiro que se preze tem que ter ido no City Bar alguma vez na vida.
A minha primeira vez, porque sempre tem uma, foi há uns 10 anos atrás. O bar continua o mesmo.
Ainda quer manter o posto de melhor bacalhau do mundo, ainda possui as figuras boêmias de sempre e todos os diversos tipos de pessoas pedindo dinheiro por causas variadas. Nessa noite foram 3: um artista que precisava de dinheiro para a passagem de ônibus, uma pessoa que queria um guaraná e em troca fazia mágicas - que descobrimos o segredo e depois ele confirmou e mais uma pessoa que queria qualquer trocado porque precisava.
City bar é um bar ao lado do Centro de Convivência de Campinas, localizado no meio do Cambuí e que atrai um público devoto e notívagos boêmios que adoram uma mesa de bar ao ar livre.
A cerveja sempre está gelada assim como o tratamento dos garçons, quando resolvem chegar até sua mesa. Eu que não tenho paciência com espera de garçom, lá me dirigi ao balcão para pedir meu copo e uma cerveja. A mensagem foi repassada e 10 minutos depois consegui tomar o primeiro gole.
A grande essência do bar é passar a noite vendo o grau sui generis das pessoas que frequentam o bar, desenvolver seu estranhamento, se divertir com os amigos da sua mesa e lutar pela atenção do garçom.
Tipicamente campineiro, avisa que a cozinha vai fechar em um eufemismo de fechar o bar e a conta é jogada na mesa sem ser pedida. Tratamento boteco campineiro, de costume e que sabe-se que não haverá saideira. Bom o preço da cerveja, que não extrapola como em barzinhos do mesmo bairro mas também não agrada os que gostam de uma cerveja a dois reais.
As porções são sempre saborosas e podemos apreciá-las ao som de carros de playboys no semáfaro ou batidas de carro. É uma vivência intensa da cidade e por tal esse bar nunca fechou.
Bom saber também que se pode chegar tarde da noite, contudo não ir embora tão tarde.
Vale a pena ir a qualquer momento que estiver aberto, seja para o bolinho de bacalhau ou para juntar amigos em um quinta-feira à noite.

Passe lá:
Centro de Convivência
Avenida Júlio de Mesquita, 450
Tel 3252-529
Visitado em 24 Janeiro 2008

22.1.08

Kilimanjaro




Campineiro, como todo paulista, adora um shopping. E lá estava eu, em pleno domingo chuvoso - o que intensifica ainda mais a freqüência ao local, no shopping Iguatemi Campinas, morrendo de fome e sem saber exatamente onde ir.
Fazia tempo que queria voltar ao Kilimanjaro, restaurante de comida contemporânea e light, segundo eles mesmo dizem.
Ao chegar ganhei um canhoto que me dizia que a espera era de quinze minutos e somente esperei algum tempo porque não sabia em qual outro restaurante dos diversos da praça de alimentação que queria ir. Quinze minutos na realidade foram cinco, então logo estava sentada em uma mesa com uma cadeira e o outro lado com banco estofado.
Recebi o cardápio, um tanto confuso com saladas, e pratos, e acompanhamentos e pedi, depois de dez minutos, um suco de abacaxi com hortelã (que notei ser pedido por várias outras pessoas) e uma salada asiática, esta composta por rúcula, shiitake, broto de feijão, torradas com queijo, amendoim e um molho especial - que me arrisco a dizer ser manteiga, sakê e shoyo.
Também foi pedido uma ceaser salad, básica salada de alface americana, croutons, peito e peru em cubos e molho típico e um filet mignon com batatas e shiitake e tomate cereja.
Problema foi que a ceaser salad veio antes e eu fiquei a ver navios. Pedi pela minha salada, que foi terminada quando o filet mignon chegou - minha fome era grande, mas não tão grande a ponto de pedir dois pratos.
A decoração dos pratos era belíssima, tudo muito bem disposto (e servido) em um grande prato quadrado - adoro os pratos quadrados - e com sabor impecável.
O filet mignon estava um ponto a mais do que o que fora pedido e as batatas um ponto a menos do que deveriam ser cozidas, mas mesmo assim, o sabor ainda estava de acordo.
A sobremesa, que poderia ter sido um crème brûlée, não foi pedida por não haver espaço no estômago.
O local é extremamente bem decorado, com aquele estilo moderno mas mesmo assim aconchegante sem ser pedante demais - até onde pode-se não ser, sendo um restaurante à lá carte no meio do shopping Iguatemi.
Interessante notar que todos os garçons eram senhores, nada de mocinhos e mocinhas bonitos que chamam atenção mas não guardam pedidos.
A conta ficou em R$100, o que para um almoço de domingo não é nada convidativo, contudo, acho que esteve de acordo com o que oferecia.
O Kilimanjaro é um restaurante que atrai um público diverso, desde pais com crianças, até casais de namorados, pessoas de trabalho, turistas americanos, socialáites e eu, que queria mesmo era comer um salada deliciosa e não me preocupar que o preço do prato comprava 15 pés de rúcula.
Para um domingo a tarde ou até mesmo um sábado antes de cair na balada, ou ir namorar, ou simplesmente ir apreciar o camarão com purê, que era sugestão do dia e eu não pedi.

Passe lá:
Shopping Iguatemi Campinas
Av. Iguatemi, 777
Vila Brandina - Campinas
Visitado em 21 Janeiro 2008

Delta Blues Bar

O Delta Blues Bar é o único bar de rock que sobrevive a maré de tendências eletrônicas e bares com banda. Sempre esteve lá, há mais de 15 anos, com bandas de blues e rock e um público fiel. Digo isso porque frequento o local desde 1994 e posso afirmar que mesmo depois de reformas e aumentos de preço, ainda mantém o mesmo estilo.
O que tem que se ter em mente quando se está no Delta é vontade de assistir bandas covers em alto e bom som - e por conseguinte não conseguir conversar se estiver perto do palco, não se importar com ventilação e/ou calor demasiado e não estar com fome, porque a comida lá é pedida certa para reinar no banheiro, por dias.
De qualquer forma, é o local ideal para beber e curtir uma banda, diversos estilos passam por lá, desde as manjadas covers de The Doors e Creedende Clearwater até Pearl Jam cover, que foi a última banda que assisti lá.
Neste dia o público estava diferente, mais novo, fazendo roda em frente ao palco, sem as figurinhas notórias das madrugadas boêmicas do bar. Não estavam deixando entrar tantas pessoas, tanto que tive que esperar liberar comandas para entrar - ponto positivo, já que antes demorava-se quinze minutos para se deslocar do bar até o palco de tanta gente lá dentro.
A segurança que fica na porta é sempre muito gentil, as garçonetes, não sei como, conseguem trazer sua cerveja no meio de tanta gente em tempo razoável e o público é sempre muito empolgado.
O Delta ainda mantém seu ambiente esfumaçado, quente e cheio de rock and roll mesmo tendo garçons de saco cheio de servir atrás do balcão - o que foi a primeiríssima vez que vi.
É um bar pra ir sozinho, com turma e com o namorado (a).
Cheguei a 1h30 da manhã e sai as 3h30. Nada mal.
Mas cuidado com a cerveja, porque acompanhar a banda e cantar todas as músicas dá sede, e o preço da long neck não é lá muito convidativo.
E ao final do show, nada como esperar a fila andar nos banquinhos nos quartos ao fundo do bar.

Passe lá:
Av. Andrade Neves, 2042
Tel 19-3242-8166
http://www.deltabluesbar.com.br/
Visitado em 11 Janeiro 2008

8.1.08

Álcool Íris

Conheço o Álcool Íris de longa data, desde outro proprietário que não o atual, e posso afirmar que é um bar que mantém sua proposta há vários anos. Nada mais que uma casa com TVs ligadas em shows ao vivo, penumbra interessante na parte interna, poucas mesas na área externa e shows de violão com uma ou duas pessoas. Falando desta forma, parece que o bar é um típico estabelecimento campineiro, com cerveja cara e Jorge Vercilo no violão. Na realidade, o Álcool Íris é um bar de rock, todo decorado com posters de shows antigos, placas de carros, quadros de nomes famosos do cinema e um aquário que ilumina o ambiente.
A casa cheia de madeira é aconchegante e possui cerveja gelada sempre com porções saborosas, como as de azeitona apimentada e a de provolone. O prato mais conhecido é a panqueca, que vem com uma generosa porção de pão e um molho da escolha do cliente.
A atração musical geralmente é rock e com um setlist muito interessante, que empolga os clientes - incapacitados também de conduzir uma conversa tamanho o barulho que se faz lá dentro.
Contudo, por maior que seja meu amor pelo bar, e sempre dói falar alguma coisa ruim daquele que a gente tanto gosta, minha última passada por lá deixou a desejar. Os garçons estavam demasiadamente perdidos, confundindo pedidos e demorando mais que o suportável para entregar a cerveja. Em termos de petiscos, uma amiga pediu um crepe de maçã que deveria ter sido flambado, mas creio que esta parte do processo fora esquecida, deixando aquela impressão de conhaque com maçã, ao invés do contrário.
Interessante ressaltar que quando fui embora muitas pessoas ainda estavam no bar o que indica que o horário de fechamento talvez tenha se estendido um pouco mais. A dupla que lá estava a se apresentar fez 3 sets, um a mais que o normal, e deixou os clientes bem felizes - até onde eram clientes ou amigos da banda.
O Álcool Íris é um oásis nos bares do Cambuí por ser tão diferente e aconchegante. Não será esse sábado que me fará desistir do bar, mas com certeza me trouxe outros olhos. Mesmo assim, é uma obrigatoriedade passar no local, nem que seja pra sentar na varanda e apreciar o ventinho com um cerveja gelada.

Passe lá:
Rua: Coronel Quirino, 1730
Cambuí - Campinas - Fone: (19) 3254-6895
Visitado em 5 Janeiro 2008

Shogun

Quando se pensa em cultura japonesa e sua gastronomia, se se desvincular da idéia fashion que impregnou nos restaurantes orientais, o que resta é um lugar pequeno, com comida boa e tradicional. O Shogun entra nesse quesito, mesmo situado em um dos bairros que mais concentram restaurantes em Campinas - aqueles que abrem, fecham, ficam uma temporada, se renovam e depois viram botequinho.
Na sexta-feira que fui estava completamente lotado embora tarde da noite (23h, o que para campineiros é, realmente, muito tarde). Consegui uma mesa no centro do restaurante, um dos locais, diga-se de passagem, mais quentes. Até todas as pessoas chegarem e fazermos os pedidos, fomos para fora do restaurante fumar um cigarro. Lá dentro não há local para fumantes e, sinceramente, pelo tamanho do local, nem seria muito bom que houvesse.
A demora no atendimento era latente e o humor das garçonetes não era dos melhores (novamente, tarde da noite). O Festival foi a opção da noite, que inclui sushi, sashimi, guioza, missoshiro, tempurá e yakisoba por R$32,00. Exclui todos os citados com exceção do sushi e sashimi.
O primeiro prato, para quatro pessoas, foi uma generosa porção de sashimi de salmão. E somente salmão. Temperatura ambiente para quase quente, cheio de gordura e, com certeza, rebarbas que não foram utilizadas para algum temaki com cream cheese. Diante de tanto sashimi, o sushi foi pedido novamente e, para surpresa, sushis de pepino, kani kama e um resquício de atum. Em 6 pedaços cada. Sushi não se corta em 8?
Contudo, o arroz era muito bem temperado, o gari (conserva de gengibre) perfeito e a entrada (salada de cenoura com repolho) deliciosa. Mas até onde um restaurante se segura nisso?
Nota-se que o Shogun é muito tradicional no ideal, na proposta, mas na apresentação final, nada disso se aplica.
Sei que o restaurante pode ser melhor por já ter visitado diversas vezes antes. Espero pensar que era o tardar da hora, a pressa para ir embora - que, de tão grande, tive que ouvir da garçonete se queríamos mais alguma coisa da cozinha que ela estava para fechar. Isso foi a primeira vez em um restaurante. Em bares contantemente ouço isso como um eufemismo de "estamos realmente fechando", mas em restaurante, onde eu pensei, ingênua que sou, que a comida é o mais importante, realmente foi a primeira vez.
De qualquer forma, o custo-benefício realmente é bom e quando não se paga muito, não se espera muito também. Triste, porém verdade.

Passe lá (antes das 23h):
Rua Conceição, 800
Centro de Convivência
Cambuí - Campinas
(19) 3254-4238
Visitado em 4 Janeiro 2008

Nosso Bar

Conhecendo os inúmeros bares e botecos que são batizados com o nome do proprietário, sempre seguido de apóstrofe e um logo de cerveja barata na placa, é por demais pretensão chamar seu estabelecimento de Nosso Bar, agregando propriedade do cliente também, como se este o achasse tão seu quanto o dono.
Creio que para chamar um bar de Nosso, este tem que preencher alguns quesitos básicos: me fazer sentir confortável, sempre chamar algum amigo para ir, aquele que eu sempre me lembro se cogito ir ao bar e ter uma cerveja perfeita. Não sei desde quando o Nosso Bar se chama Nosso Bar, mas posso afirmar que desde a primeira vez que fui não vi um nome mais apropriado.
O Nosso Bar fica dentro do Mercado Municipal de Campinas, em uma das bancas e, dada sua localização, se preocupar com lugar para sentar é por demais subestimar o intuito do local. Os poucos bancos que lá existem às vezes nem são ocupados, sendo preteridos pelo aconchegante e apertado balcão, juntamente com a gritaria dos garçons e das pessoas que estão por ali.
Os garçons são um caso à parte, sempre com um humor peculiar e de um sarcasmo refinado, tirando muito sarro da cara dos clientes que não se importam de maneira alguma, ficando cada vez mais confortáveis, como se estivessem entre amigos. Também possuem conhecimento vasto dos vários tipos de cerveja que o bar vende, o que são cerca de 300, e dão sugestões para clientes interessados em degustações.
A gastronomia não fica atrás, baseando-se em lanches grandes e saborosos; a pedida da vez foi um pastel de bacalhau bem sequinho e com bastante recheio. Para alimentar a alma foram um chopp da Guiness, uma garrafa de Paulaner, uma Sapporo, uma Old Speckle Hen e algumas Originais para não deixar todo o salário lá, afinal, as cervejas importadas não são baratas, variando de R$17,00 a garrafa até R$300 por uma trapista.
Ao final do turno, como em um pub, um sino é tocado e todos sabem que, infelizmente, é hora de ir embora. Interessante é convidar pessoas que nunca foram lá e propor "Vamos ao Nosso Bar?" e o olhar de curiosidade e estranhamento surge até a explicação de que, não, não é nosso, mas vai ser.

Passe lá:
Rua Barão de Jaguara, 988,
Box 2
Centro, Campinas
Tel. (19) 3233.9498
Visitado em 5 Janeiro 2008