12.12.09

Aroma Árabe

Não posso afirmar que conheço todas as culinárias, muito menos que as entendo. Das que entendo, consigo recriar baseada no que sei e reproduzir o clássico. A culinária árabe é aquela, no entanto, que fico boquiaberta - e feliz - por não conhecer e sempre me surpreender com os sabores.
O leigo diria que tem-se como base o hortelã, kafta, babaganuche, homus, pão pita e zátar (zaatar).
Eu diria o mesmo!
Estou fascinada com restaurante que me proporcione rodízios/degustações a preços interessantes e que me introduzam sabores novos. Sempre fui curiosa pela culinária árabe, mas nunca me aprofundei no assunto. No entanto, tive uma experiência interessante no Aroma Árabe.
Cheguei para almoçar em um horário péssimo (para quem trabalha no restaurante): 14h. O sistema da casa funciona com um preço para o pequeno rodízio (que inclui um self-service e pratos pedidos na mesa) e o rodízio completo (tudo na mesa); dado o horário, a garçonete sugeriu, muito honestamente, que escolhêssemos o rodízio completo pois assim teríamos uma comida mais fresca, feita na hora. Decidido pela sugestão dela, então.
E que ótima sugestão!
A comida estava sendo feita na hora pois conseguia ouvir o barulho da cozinha e não havia mais nenhum cliente no recinto.
O couvert incluia pães quentinhos e uma trilogia de babaganuche (pouco temperada), homus e coalhada seca, em um textura exuberante e saborosíssima. Minha fome estava quase morta ali.
Mas seguiu-se kafta, com delicioso gostinho de leite, charutinhos de folha de uva, arroz com lentilha, falafel (muito seco) e a maravilhosa abobrinha recheada. Esta, até hoje, com o sabor indescritível na minha cabeça.
A conta não deu 35 reais para cada um e pude comer muito, sempre me questionando o tempero usado. Milhões de questões na cabeça, sem saber de onde vinham aqueles sabores estranhos e deliciosos. Uma cozinha sem medo de ser de raíz, original e para aqueles que apreciam sua culinária.
Uma vez que Papai Salim não satisfaça mais, o Aroma Árabe proporciona melhor atendimento e uma cozinha peculiar, que não tem medo do cliente que não conhece seu sabor. A cozinheira chef, diz-se, está na área há 27 anos.
Nada melhor que ser bem servido, com comida diferente e feita na hora.
Inspirador.

Passe lá:
Aroma Árabe
Av. Júlio de Mesquita,73
Campinas - SP
(19) 3255-8251

Ryuu

Assim como já achei que entendia muito de botecos, também já achei que entendia muito de restaurantes japoneses. Ao menos os de Campinas. De todos que existem na cidade, posso afirmar que não fui em apenas dois.
Felicidade a minha quando me deparei com o Ryuu.
Tinha como o melhor Matsu, independente da Veja o classificar como o melhor.
Ryuu abriu suas portas em junho de 2009 e vi a festa de inauguração de longe pois sempre passo perto do local na volta do trabalho. Comecei a notar a propaganda em alguns veiculos da mídia mas a minha curiosidade persistia simplesmente por ser um novo restaurante japônes na cidade e eu queria saber se era bom ou não.
Para mim, restaurante que se presta a servir comida japonesa tem, no mínimo, que ter peixe fresco. Nem me arrisco a exigir karê ou qualquer outro tipo de comida típica que não seja o sushi e sashimi, mas quero, ao menos, que façam o básico e bem feito.
A decoração do lugar me atraiu porque é cool demais, moderninha demais, diferente demais para ser algo bom. E eu tinha que conhecer, com o medo gritante que seria mais uma baladinha/restaurante estilo Kindai.
A primeira vez que fui foi em um almoço de sábado. Cheguei e me sentei nas mesas do fundo onde o ar condicionado parecia mais potente. A casa trabalha com menu degustação o que, achei a princípio, um eufemismo de rodízio. Ledo engano.
O Ryuu trabalha com o conceito de degustação no sentido de pequenas porções, podendo ser repetidas a bel prazer, em sequencias com um tempo admissível entre um prato e outro, de forma a deixá-lo com vontade de comer o próximo prato sem se estafar.
Caso se peça a degustação - o que é de longe a melhor opção - pode-se ter sunomono ou uma saladinha de primeira entrada. O garçon logo pede se o temaki é desejado e qual peixe se quer - salmão, prego ou atum - e se guarnecido com cream cheese e cebolinha. O pedido sempre é atum e cebolinha sem cream cheese.
Segue-se o rolinho primavera com o molho mais delicado que já comi, agridoce no ponto que deve ser, juntamente com wonton de cream cheese - este sim, delicioso com o quejo.
O prato de sushi e sashimi chega, devidamente escolhido anteriormente pelos clientes. A escolha sempre é peixe prego e atum, fresquíssimos e um pouco de salmão, sempre muito bom também.
O camarão empanado chega com o mesmo molho do guioza (antes terrível, mas depois da terceira vez estava apimentado e delicado como deve ser) e segue com o salmão levemente grelhado com gergelim preto e branco e um crocante de batatas.
Esse prato eu sempre passo porque ocupa espaço demais no estômago e é batido além da conta.
Quando os sushimen estão inspirados, pode-se receber uma porção de peixe prego levemente grelhado com molho apimentado de abacaxi (que eles devem achar que é um super segredo mas eu mesma já comprei em um mercado na Liberdade em São Paulo) ou então um fantástico pseudo-cebiche de prego com a péssima, porém coerente, maionese, limão e gengibre. Uma surpresa boa e rara por lá (das cinco vezes que fui, comi apenas uma vez).
O shimeji e shiitake na manteiga e, o que eu acredito, um pouco de missô e shoyu estão disponíveis sempre, a não ser que o despreparado graçon afirme que não se encontra mais no mercado até o prócximo garçon lhe trazer uma porção.
O diferencial, assim como escrevem no menu, é o shoyu. Na verdade, afirmam que a garrafinha de shoyu diferencia um restaurante de outro, e a deles é linda. Mas o mais importante é seu conteúdo e nela está um shoyu que não é puro e sim misturado com outros ingredientes que consigo quase afirmar que sei quais são, mas não me arrisco.
De sobremesa, vá com o Melona de melão, morango, banana ( o preferido) ou outro sabor que não me lembro.
O ambiente é delicioso, extremamente aconchegante, com opções de bebidas alcoolicas (Stella Artois a R$4,00) e sucos fresquinhos.
Ryuu se propõe a servir o básico e o original. O peixe, sempre fresco, chega na casa com frequencia alta, aquela que garante que não se morda um pedaço lindo de sashimi congelado. E sempre pode-se contar com o delicioso peixe prego, para mim, a melhor combinação com o atum.
Almoço ou jantar, o atendimento sempre será muito bom e a casa sempre cheia.

Passe lá:
Ryuu
Av. João Mendes Jr., 427 - Cambuí (paralelo a Norte-Sul)
Campinas - SP
(19) 3325-4101
Aberto para almoço e jantar - Terça a Domingo

18.8.09

Pizzaria São Paulo - Ubatuba



Já comi em muitas pizzarias, daquelas clássicas da cidade de Campinas (não muitas) até aquelas com exemplares de R$6,00 que chamam de "atum e tomate". Em uma visita longa a Ubatuba, procurando sabores familiares acabei me surpreendendo com, sem excessos aqui, a melhor pizza que já comi até agora.
Começamos descaradamente com uma desgustação de azeite. A casa possui mais de 40 rótulos e escolhi 10 destes, para serem saboreados com uma entrada de massa de pizza. Somente.
Um grande pedaço de massa de pizza assada a perfeição que foi divida em dois e degustada aos pequenos pedaços com os variados tipos de azeites escolhidos. Dos italianos, brasileiros e gregos que provei foi o português orgânico que ganhou de todos. Chama-se ALFANDAGH, 0,7% de acidez máxima, extra-virgem. Delicioso e escolhido para acompanhar as pizza pedida.
A escolhida foi, depois de muito tempo, Maçarico, com deliciosos pedaços de pancetta, cortados finamente e muito crocantes.
A casa, além de expor seus variados azeites em cima do balcão e em prateleiras altas, decora o chão com diversas latas de tomate pelado italiano ( o que não acho que estaria muito de acordo com a vigilância sanitária) e possui atendimento bom, de acordo com o que esperava. Como a curiosidade era grande fui perguntar ao proprietário sobre a massa de pizza, tão impecável, e encontrei respostas vagas, logicamente.
A casa centenária fica em Ubatuba e acho que, uma vez no litoral, vale a pena ser bem paulistano e passar para provar uma pizza do lugar.

Passe lá:
Pizzaria São Paulo
Rua: Dr. Esteves da Silva, 26 - Centro
Ubatuba
(12) 38327457
Couvert médio: R$50,00

11.11.08

Chopp Time

A primeira idéia que se passa quando o nome de um bar remete a um programa de TV de vendas de produtos sem muito uso é a mesma de quando o tal programa passa na TV: você não quer ficar assistindo, mas acaba perdendo algumas horas com ele.
O bar é realmente bonito, todo em madeira, com três espaços - exterior, interior e mezanino. Banheiro limpo, arejado e sem filas. O bar trabalha com os insuportáveis e inaudíveis cantores de banquinho e violão, com o mesmo repertório e volume acima do necessário. Couvert de R$4.
O tardar da noite não impossibilitou alguns chopes, que, evidentemente, eram trazidos com maior vagareza ao passar dos minutos. A cozinha demorou a fechar e pude pedir um Cambuí Street Especial, que consistia em diversas carnes, queijo, molhos e gorgonzola. O que eu senti foi gorgonzola, com molho de gorgonzola e pedaços de gorgonzola. R$20. O cardápio é um pouco confuso pela variedade e quantidade de opções; há quem ache muitas opções uma boa qualidade mas creio que menos é mais - assim como o gorgonzola deveria ser.
Os chopes eram marcados em uma comanda na mesa o que facilitou a contagem, nem muito alta, de quantos reais seriam gastos lá. R$3,90 tulipa de 300 ml.
Os garçons estavam pedindo educadamente que fôssemos embora dado que não havia mais uma viva alma no bar e os funcionários já estavam fazendo a ceia. Como não haveria mais nenhum outro bar em que se pudesse chegar as 3 da manhã e a conta já estava salgada, decidimos aceitar o pedido e ir embora.
O bar abre para almoço, happy hour e jogos de futebol. Assim como o canal de compras, muitas opções sem muita qualidade em cada, mas razoável se você não tem uma variedade de escolha.

Passe longe:
Centro de Convivência - Cambuí - Campinas
Couvert médio: R$30

9.11.08

Pernil

Sou bastante fã de um boteco e normalmente não me importo com o que seria de relevância para outras pessoas - clientes, comida, bebida, condições do banheiro; porque, afinal, trata-se de um boteco. Domingo a tarde estava no Pernil, relativamente um boteco novo, que, em seu início ficava aberto 24h. Creio que a quantidade de bêbados da madrugada fizeram os donos mudarem de idéia.
Poderiam, também, mudar de idéia em relação ao preço da torre de chopp Germânia (R$25) e a quantidade de oléo na coxinha (fritura em imersão é para poucos). Por muito tempo deixaram uma placa onde estava escrito "diz-se que aqui se come o melhor lanche de pernil de Campinas". Não tive coragem de experimentá-lo depois de um vislumbre na coxinha e no lanche de bacon que um amigo pediu.
O local é extremamente abafado, mesmo aberto nas laterais, lembra uma cantina de escola e a TV sintonizada no Faustão não agradou ninguém.
A conta ficou bastante alta, considerando que estávamos em 7 pessoas.
Acho que mudei de idéia: para o Pernil ser chamado de boteco tem que melhorar muito. Ainda é café com leite, e nem daqueles que a gente pede com pão na chapa nos botecos mais podres.

Passe longe:
Pernil
Av. Orosimbo Maia
Campinas
Couvert médio: R$20

8.11.08

Barril da Máfia

O Barril da Máfia comemora 10 anos de existência em 2008. Lembro-me perfeitamente de quando conheci o bar, recém inaugurado, conversando com a dona na mesa, pouca gente na pista e um potencial gigantesco. O bar começou a fazer muito sucesso, a lotar a casa todo final de semana sempre, basicamente, com o mesmo público – pessoas na faixa dos 25 a 30 anos de idade. Eu, na época, tinha 18 e gostava do bar com bandas bacanas como Fred Jorge e os Maiorais no impressionante palco que fica em cima do bar.
Fiquei alguns anos sem passar por lá, mas mais recentemente, devido a predileção por botecos, possibilidade de conversar sem gritar e ausência de pessoas com mais de trinta anos que se vestem como se tivessem 18 e agem como se tivessem 15. Nesse sentido, não ouvi mais falar do Barril, a não ser por email, recebendo a programação do bar, sempre com as mesmas bandas.
Foi então que um amigo resolveu comemorar o aniversario e aniversário é mandatória a presença. Foi então que cheguei ao Barril da Máfia as duas da manhã de sexta para sábado. Poder entrar nesse horário foi uma surpresa, logicamente, considerando Campinas, a cidade do “vamos tomar um de café de madrugada em vez de se divertir”. O cidadão que me atendeu, com seu mau humor intrínseco de quem está de pé de madrugada – mas que não deveria considerando o trabalho que está prestando, nos avisou em voz robótica, como telemarketing, do funcionamento da casa.
E seguem as mudanças da última vez em que fui lá: entrada mulher de R$15, homem R$17, apenas para sorrir. Fumar não se pode lá dentro, então se quiser, somente fora da casa, onde notei que é onde os papos mais efusivos acontecem. Seguindo a tendência de servir cerveja bem, vende-se Guinness lata por R$18, com possibilidade de Skol por R$7.
O que ficou do mesmo foram as mulheres de trinta e poucos anos que se portam como se tivessem 18 – e eu, quase com trinta, consigo achar ainda mais ridículo – a pista lotadíssima, sempre animada e o palco em cima do bar. A tendência anos 80 juntamente com o público que nasceu nessa época foi trazida pela banda Blackout (muita música pra bêbado dançar e lembrar de qual novela foi aquela trilha sonora).
Em 1h45 minutos gastei R$90 (em duas pessoas), ouvi Marina Lima e Midnight OIl, assisti tentativas frustradas de pessoas balzaquianas parecerem descoladas e resolvi ir embora. Creio não ter mais paciência para o Barril da Máfia; ou esgostei a vontade pelas diversas vezes que fui no passado longínquo ou virei uma pessoa de quase 30 que não suporta baladinhas de quem acha que não tem 30.


Passe Longe:
Rua Dom Pedro I, 390
Guanabara - Campinas - SP
(19) 3241-0982
Couvert médio: R$40

3.9.08

Clube Kraft

Me encontrava na fila do suposto clube mais descolado de Campinas a 1h30 da manhã de sexta para sábado esperando pra ver Gui Boratto. Atrás de mim, um grupo de três garotos que sotaque que variava entre paulistano e campineiro contando dos finais de semana em Maresias e na minha frente um casal que fazia malabarismos para atender telefone, acender cigarro, colocar pulseirinha de área vip e continuar se beijando.
Fiquei feliz que entrei na fila correta, aquela de nome na lista, com uma hostess que deveria trabalhar de agente funerária tamanha a depressão. O frio que fazia fora da casa foi compensado brutalmente pela sauna que estava dentro e a cerveja que serviria para refrescar foi tomada 10 minutos depois de chegar ao bar.
A variedade de público da Kraft é imensa, desde os playboys que estavam perto de mim na fila até reggueiros, o pessoal GLS, os homens maduros que acham que tem 18 anos, os zilhões de meninos com bonés, os clubbers e qualquer outro tipo de pessoa. Descobri que o melhor jeito para ninguém esbarrar em você, te queimar, ou derrubar cerveja é dançar porque, de alguma forma, entra-se no ritmo de todos.
Impressionantemente, não esperei para ir ao banheiro, dada a ausência de meninas surtadas que normalmente se encontra em filas de banheiros. Ponto positivo.
A apresentação do Gui Boratto foi ótima, até onde eu possa achar, dado todo o desconhecimento desse tipo de música.
Foi uma experiência interessante mas, realmente, não o meu tipo de lugar.
O clube tem outros tipos de apresentações que não somente eletrônica, como rock (Matanza e Muzzarelas) e samba-rock (como Fred Jorge) o que aumenta ainda mais o leque de opções.
A decoração é diferente, local bastante escuro, com três áreas diferentes, pessoal bastante animado – embora às vezes a animação parecia princípio de briga e o atendimento no bar era condizente com o tanto de gente lá dentro.
É, na realidade, o único lugar que pode-se chegar às 4 horas da manhã e entrar sem problemas, o que, em Campinas, é um oásis – se você gosta desse tipo de balada.
Com nome na lista, paguei R$30,00 de bônus no bar (eufemismo para consumação obrigatória) e gastei mais que isso (Skol em lata R$5,00, Stella Artois RS7,00). Entrada de R$15,00.
Mesmo não tendo adorado o lugar, posso afirmar que prefiro ir lá todos os fins-de-semana à ir em qualquer boate que o pessoal que estava atrás de mim na fila deve ir quando não está na Kraft.

Passe lá (se for sua praia):
Rua Carolina Florence, 1121
Taquaral
Campinas
(19) 32426356
Couvert médio: R$40,00