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9.11.08

Pernil

Sou bastante fã de um boteco e normalmente não me importo com o que seria de relevância para outras pessoas - clientes, comida, bebida, condições do banheiro; porque, afinal, trata-se de um boteco. Domingo a tarde estava no Pernil, relativamente um boteco novo, que, em seu início ficava aberto 24h. Creio que a quantidade de bêbados da madrugada fizeram os donos mudarem de idéia.
Poderiam, também, mudar de idéia em relação ao preço da torre de chopp Germânia (R$25) e a quantidade de oléo na coxinha (fritura em imersão é para poucos). Por muito tempo deixaram uma placa onde estava escrito "diz-se que aqui se come o melhor lanche de pernil de Campinas". Não tive coragem de experimentá-lo depois de um vislumbre na coxinha e no lanche de bacon que um amigo pediu.
O local é extremamente abafado, mesmo aberto nas laterais, lembra uma cantina de escola e a TV sintonizada no Faustão não agradou ninguém.
A conta ficou bastante alta, considerando que estávamos em 7 pessoas.
Acho que mudei de idéia: para o Pernil ser chamado de boteco tem que melhorar muito. Ainda é café com leite, e nem daqueles que a gente pede com pão na chapa nos botecos mais podres.

Passe longe:
Pernil
Av. Orosimbo Maia
Campinas
Couvert médio: R$20

11.7.08

Bar do Spaguette/Scooby

Tenho duas lembranças fortes do Scooby: primeira, quando este se chamava Scooby ainda e eu ia para lá ao invés de assistir aula do cursinho. A segunda foi quando me formei na faculdade e por motivos socialistas não tive uma festa de formatura e fui comemorar por lá. A primeira lembrança é de um bar que ficar aberto o dia todo e, de dia, poucas pessoas estão por lá, ainda mais em dia de semana. O sol da tarde é gostoso, o bar está limpo e a cerveja gelada. A segunda lembrança me remete à baratas no chão, putas, travestis, bêbados, pedintes e loucos de forma geral sentados na mesa ao lado, ou apenas como transeuntes do bar.
Voltei lá na quarta-feira durante um jogo do São Paulo. O bar é reduto de sãopaulinos e, por conseguinte, eu era uma das poucas mulheres por lá.
Sem problema algum, mesa cativa, jogo na TV, pessoas ensandecidas, cerveja gelada e muito dos personagens da segunda lembrança marcante. As baratas, no entanto, não estavam presentes. Mesmo assim, não me arrisquei a pedir nada da cozinha, mesmo ela a minha vista e o cheiro de bacon provocando meu estômago.
Pela ausência feminina em massa, o banheiro ainda tinha papel higiênico e o chão estava limpo. Pela presença masculina em massa, as brigas aconteceram.
O Spaguette, ou Scooby, como eu ainda me refiro, é um boteco clássico, daqueles que as pessoas podem terminar a noite e iniciar sua manhã bem embriagados. Caso queira ir sem esbarrar com as pessoas da noite, aquela fauna que faz parte dos botecos das 3 da manhã, passe lá entre 7 e meia noite. Caso contrário, a visão é péssima, os bêbados amigos querem ficar seu amigo e a cerveja nem tem mais sentido.
Muito menos o lanche de pernil.
Mas ainda é o clássico boteco para o qual se recorre quando a névoa da cerveja não se esvai e tudo o que se quer é continuar bebendo. Sem ligar muito para a fauna cativa do local.

Passe longe:
Bar do Spaguette/Scooby
Av. Júlio de Mesquita com Rua Benjamin Constant
Campinas - SP
Courvet médio: R$15,00
Aberto praticamente 24h

5.7.08

Empório do Nono

Barão Geraldo hoje em dia possui diversos bares para todos os tipos de gostos (mas sem exageros). O Empório do Nono, no entanto, existe desde que o bairro tinha mais barro que bares e continua no mesmo lugar, com a mesma clientela fiel e os maravilhosos petiscos que acompanham a cerveja ou o chopp gelados.
O Nono, como os mais chegados chamam, possui cadeiras na calçada e um ambiente interno aconchegante, bom para os dias de frio. O bar sempre está lotado, em sua maioria por pessoas na faixa dos 30 anos (e mais) e alguns jovens perdidos que tenham mais dinheiro no bolso. Realmente, não é um boteco barato, mas compensa quando o que se pede é o tira gosto de balcão, porção que vem 3 ou 5 petiscos diversos que ficam expostos no balcão - desde azeitonas e queijos, até berinjela empanada com tomate seco. É possíver beber Original, Serramalte e Norteña e o chopp da Brahma.
Os garçons são sempre muito atenciosos embora os mais novos por lá não tenham o mesmo jeito cativante dos que tem anos de casa.
Logicamente, quando te avisam que a cozinha está fechando, em aproximadamente 40 minutos o bar também fecha ou o serviço fica lento para conseguir mais cerveja. A saideira não é costumaz a não ser que você tenha gasto por volta de 200 reais na conta total da mesa.
O Empório do Nono é ideal para happy hour, para uma passada rápida antes de ir para um bar mais agitado e até mesmo para curtir um show com músicas do Chico Buarque toda última quinta-feira do mês. Vá pelos petiscos, pela conversa com amigos interessantes, pela visão da avenida logo à frente. E com dinheiro no bolso.

Passe lá:
Empório do Nono
Av. Albino J. B. de Oliveira, 1128
Barão Geraldo - Campinas
Couvert médio: R$30,00

http://www.emporiodonono.com.br/index.htm

Bar do Jair

O Bar do Jair está em Campinas desde 1989. Eu conheço o bar há pouco tempo mas cheguei a frequentá-lo antes de passar por reforma e ficar gigantesco. O interessante desta reforma é que, mesmo bem grande, o Bar do Jair mantém a atmosfera de boteco e, melhor, de boteco de faculdade. É possível ver todas as figurinhas da Unicamp por lá, bebericando uma cerveja e se deliciando com a maior variedade de baixa gastronomia que já vi. O bar era conhecido pela maravilhosa coxinha de frango e, diante da demanda, creio, criou diversos outros tipos da iguaria, desde a de carne seca até a de berijela para os sempre presentes vegetarianos.
Eu recomendo, no entanto, o lanche de pernil, obrigatório para minha pessoa toda vez que resolvo ficar lá por algumas horas. O atendimento é rápido se você está sentado em uma mesa perto do balcão, mas, de forma geral, os garçons são eficientes (e parecem se divertir tanto quanto os clientes quando a banda começa a tocar).
O ambiente é decorado com bandeiras, uma TV enorme para jogos de futebol, um canto para bandas diversas e muito boas, mesa de sinuca, um banheiro em cada canto do bar e muitas mesas.
O bar, no entanto, fecha cedo, e à uma da manhã já se ouve que a cozinha e o bar estão fechando. Não muito difícil se receber a conta antes de pedí-la. Mas a saideira sempre vem, se se pede com jeitinho para algum garçom de bom humor.
Estacionar o carro é um sufoco se se chega tarde (vulgo 9 da noite), sentar na parte nova com bandas muito empolgadas não permite conversas e erros de quantidade de cervejas na conta acontecem frequentemente. Mas ir com os amigos, comer muito bem e aproveitar esse tempo até ser mandado embora vale a pena.

Passe lá:
Bar do Jair
Rua Eduardo Modesto, 212
Barão Geraldo - Campinas -SP
Couvert médio: R$20,00

http://www.bardojair.com.br/bar.htm

29.4.08

Sabor do Sul (Bar do Seu Pereira)



O Sabor do Sul, para aqueles que o visitam com mais freqüência, ou para aqueles que como eu ao se sentirem confortáveis em um bar já se sentem amigos do dono, é chamado mais informalmente de Bar do Seu Pereira.
O lugar é um empório/restaurante que parece uma antiga vendinha de produtos onde, no lugar dos produtos de limpeza, tem-se diversos tipos de cerveja. O solícito Seu Pereira, assim como seus garçons, explicam detalhadamente qual o tipo de cerveja pode ser bebido de acordo com seu paladar ou sua curiosidade.
Eu, muito curiosa e sedenta por conhecimento, comecei com a Colorado de Ribeirão Preto, passei para Wiehenstephaner, depois para uma Heineken long neck porque nenhum dos homens da mesa queriam continuar bebendo.
O bar do Seu Pereira fica sozinho na rua, aberto até à uma da manhã de terça a domingo e deixa mesinhas na calçadas que são uma delícia para acompanhar o não-movimento da rua.
A idéia de cidade de interior, com o dono do bar conversando com os clientes quando requisitado, a cerveja no ponto certo e com uma variedade incrível deixam o Sabor do Sul propício para fins de tarde e começos de noite apropriados para conversas com amigos.
O local faz propaganda de almoço, como feijoada de 4a e sábado mas posso dizer que à noite o clima é realmente convidativo. E para não faltar conhecimento ao conhecedor e curioso das diversas cervejas que o empório vende, são oferecidas degustações com pequenas palestras ao preço de R$15,00.
Vale a pena matar a sede pelo conhecimento. Muita sede.

Passe lá:
Empório Sabor do Sul
Rua Coriolano, 969
Lapa - São Paulo
11-3801-8259
Visitado em 26 Abril 2008

25.1.08

Kabana

Kabana é um bar de praia sem estar na praia. Esse é a primeira impressão que se tem do bar, com areia no chão, várias plantas perto de uma parede pichada com grafites exclusivos e pessoas que se importam mais em se divertir que se vestir bem para a balada.
A área externa do bar é composta por várias mesas, as quais são disputadas a tapas e sempre ocupadas com pessoas que ora conversam, ora estão de olho em outras pessoas.
Kabana é bar de paquera e de muita conversa.
Os djs que animam a noite estão sempre mais focados em reggae, mas também existem as noites rock e samba rock, muito animadas na pista de dança em frente ao balcão. Lá, na verdade, é onde todos mais se divertem, mesmo envoltos em cotovelos, cervejas e muita gente.
O bar oferece um dos lanches mais simples, contudo um dos mais pedidos, que tem a alcunha de boiola, feito de pão francês, tomate, azeite, queijo fresco e orégano. Um dos mais pedidos da casa e com certeza, um dos mais saborosos. Para aqueles que querem matar a fome, o X-kabana consegue satisfazer os mais famintos de todos.
Os garçons e garçonetes são sempre pessoas muito gentis que conseguem, no meio de tanta gente, trazer sua cerveja gelada em pouco tempo.
A entrada no bar é bem dilatada, podendo estar lá até duas e meia da manhã, o que é extremamente significativo no meio boêmio campineiro.
O lado ruim, se é que pode-se falar isso, é que de sexta-feira o bar lota bastante e a fila para entrada é bastante grande.
Preste atenção na decoração do bar, desde a parede do balcão até as portas dos banheiros.
É um bar para quem gosta de se divertir, beber à vontade, sem se preocupar com divisão de contas - afinal a comanda é individual e quer chegar tarde em casa.
É um dos bares que mais recomendo e um dos poucos que Campinas realmente precisava.

Passe lá (mas passe mesmo):
Avenida Romeo Tórtima, 485
Barão Geraldo - Campinas-SP
Tel: 3289-8216
Visitado em 18 Janeiro 2008
www.kabanabar.com.br

City Bar

Qualquer campineiro que se preze tem que ter ido no City Bar alguma vez na vida.
A minha primeira vez, porque sempre tem uma, foi há uns 10 anos atrás. O bar continua o mesmo.
Ainda quer manter o posto de melhor bacalhau do mundo, ainda possui as figuras boêmias de sempre e todos os diversos tipos de pessoas pedindo dinheiro por causas variadas. Nessa noite foram 3: um artista que precisava de dinheiro para a passagem de ônibus, uma pessoa que queria um guaraná e em troca fazia mágicas - que descobrimos o segredo e depois ele confirmou e mais uma pessoa que queria qualquer trocado porque precisava.
City bar é um bar ao lado do Centro de Convivência de Campinas, localizado no meio do Cambuí e que atrai um público devoto e notívagos boêmios que adoram uma mesa de bar ao ar livre.
A cerveja sempre está gelada assim como o tratamento dos garçons, quando resolvem chegar até sua mesa. Eu que não tenho paciência com espera de garçom, lá me dirigi ao balcão para pedir meu copo e uma cerveja. A mensagem foi repassada e 10 minutos depois consegui tomar o primeiro gole.
A grande essência do bar é passar a noite vendo o grau sui generis das pessoas que frequentam o bar, desenvolver seu estranhamento, se divertir com os amigos da sua mesa e lutar pela atenção do garçom.
Tipicamente campineiro, avisa que a cozinha vai fechar em um eufemismo de fechar o bar e a conta é jogada na mesa sem ser pedida. Tratamento boteco campineiro, de costume e que sabe-se que não haverá saideira. Bom o preço da cerveja, que não extrapola como em barzinhos do mesmo bairro mas também não agrada os que gostam de uma cerveja a dois reais.
As porções são sempre saborosas e podemos apreciá-las ao som de carros de playboys no semáfaro ou batidas de carro. É uma vivência intensa da cidade e por tal esse bar nunca fechou.
Bom saber também que se pode chegar tarde da noite, contudo não ir embora tão tarde.
Vale a pena ir a qualquer momento que estiver aberto, seja para o bolinho de bacalhau ou para juntar amigos em um quinta-feira à noite.

Passe lá:
Centro de Convivência
Avenida Júlio de Mesquita, 450
Tel 3252-529
Visitado em 24 Janeiro 2008

8.1.08

Álcool Íris

Conheço o Álcool Íris de longa data, desde outro proprietário que não o atual, e posso afirmar que é um bar que mantém sua proposta há vários anos. Nada mais que uma casa com TVs ligadas em shows ao vivo, penumbra interessante na parte interna, poucas mesas na área externa e shows de violão com uma ou duas pessoas. Falando desta forma, parece que o bar é um típico estabelecimento campineiro, com cerveja cara e Jorge Vercilo no violão. Na realidade, o Álcool Íris é um bar de rock, todo decorado com posters de shows antigos, placas de carros, quadros de nomes famosos do cinema e um aquário que ilumina o ambiente.
A casa cheia de madeira é aconchegante e possui cerveja gelada sempre com porções saborosas, como as de azeitona apimentada e a de provolone. O prato mais conhecido é a panqueca, que vem com uma generosa porção de pão e um molho da escolha do cliente.
A atração musical geralmente é rock e com um setlist muito interessante, que empolga os clientes - incapacitados também de conduzir uma conversa tamanho o barulho que se faz lá dentro.
Contudo, por maior que seja meu amor pelo bar, e sempre dói falar alguma coisa ruim daquele que a gente tanto gosta, minha última passada por lá deixou a desejar. Os garçons estavam demasiadamente perdidos, confundindo pedidos e demorando mais que o suportável para entregar a cerveja. Em termos de petiscos, uma amiga pediu um crepe de maçã que deveria ter sido flambado, mas creio que esta parte do processo fora esquecida, deixando aquela impressão de conhaque com maçã, ao invés do contrário.
Interessante ressaltar que quando fui embora muitas pessoas ainda estavam no bar o que indica que o horário de fechamento talvez tenha se estendido um pouco mais. A dupla que lá estava a se apresentar fez 3 sets, um a mais que o normal, e deixou os clientes bem felizes - até onde eram clientes ou amigos da banda.
O Álcool Íris é um oásis nos bares do Cambuí por ser tão diferente e aconchegante. Não será esse sábado que me fará desistir do bar, mas com certeza me trouxe outros olhos. Mesmo assim, é uma obrigatoriedade passar no local, nem que seja pra sentar na varanda e apreciar o ventinho com um cerveja gelada.

Passe lá:
Rua: Coronel Quirino, 1730
Cambuí - Campinas - Fone: (19) 3254-6895
Visitado em 5 Janeiro 2008

Nosso Bar

Conhecendo os inúmeros bares e botecos que são batizados com o nome do proprietário, sempre seguido de apóstrofe e um logo de cerveja barata na placa, é por demais pretensão chamar seu estabelecimento de Nosso Bar, agregando propriedade do cliente também, como se este o achasse tão seu quanto o dono.
Creio que para chamar um bar de Nosso, este tem que preencher alguns quesitos básicos: me fazer sentir confortável, sempre chamar algum amigo para ir, aquele que eu sempre me lembro se cogito ir ao bar e ter uma cerveja perfeita. Não sei desde quando o Nosso Bar se chama Nosso Bar, mas posso afirmar que desde a primeira vez que fui não vi um nome mais apropriado.
O Nosso Bar fica dentro do Mercado Municipal de Campinas, em uma das bancas e, dada sua localização, se preocupar com lugar para sentar é por demais subestimar o intuito do local. Os poucos bancos que lá existem às vezes nem são ocupados, sendo preteridos pelo aconchegante e apertado balcão, juntamente com a gritaria dos garçons e das pessoas que estão por ali.
Os garçons são um caso à parte, sempre com um humor peculiar e de um sarcasmo refinado, tirando muito sarro da cara dos clientes que não se importam de maneira alguma, ficando cada vez mais confortáveis, como se estivessem entre amigos. Também possuem conhecimento vasto dos vários tipos de cerveja que o bar vende, o que são cerca de 300, e dão sugestões para clientes interessados em degustações.
A gastronomia não fica atrás, baseando-se em lanches grandes e saborosos; a pedida da vez foi um pastel de bacalhau bem sequinho e com bastante recheio. Para alimentar a alma foram um chopp da Guiness, uma garrafa de Paulaner, uma Sapporo, uma Old Speckle Hen e algumas Originais para não deixar todo o salário lá, afinal, as cervejas importadas não são baratas, variando de R$17,00 a garrafa até R$300 por uma trapista.
Ao final do turno, como em um pub, um sino é tocado e todos sabem que, infelizmente, é hora de ir embora. Interessante é convidar pessoas que nunca foram lá e propor "Vamos ao Nosso Bar?" e o olhar de curiosidade e estranhamento surge até a explicação de que, não, não é nosso, mas vai ser.

Passe lá:
Rua Barão de Jaguara, 988,
Box 2
Centro, Campinas
Tel. (19) 3233.9498
Visitado em 5 Janeiro 2008

9.12.07

Edu Bambu



Até onde sabia, não havia muitos bares nos quais o cliente se servia, pegando sua própria cerveja no bar. Pelo visto há mais de um. Conhecia um bar que tinha esse sistema, chamei um amigo para ir e por falta de conhecimento de mais bares do tipo, achei que íamos neste bar. Ledo engano, se tratava de mais um bar com cara de casa, onde o cliente pegava a própria cerveja no freezer e a conta se baseava na quantidade de garrafas na mesa.
Foi então que conheci o Edu Bambu.
Cheguei naturalmente tarde, e naturalmente achei que não seria recebida ou estaria saindo de lá em alguns minutos. 23h30 consegui uma mesa, depois de aguardar no balcão 10 minutos - estes nos quais já me servi de uma Heineken de 600 ml. Quando me avisaram da mesa vaga, pedi um lanche de pernil, clássico de qualquer boteco que vou. Demorou cerca de 40 minutos para chegar e, de todos os que já apreciei, ficou entre os piores. Problema de vários, a carne muito seca e a ausência de vinagrete.
Chegaram os amigos e seguimos para a Serra Malte que, depois de muito tempo, voltou a ser boa. A dona do bar perguntou se queríamos mais alguma coisa da cozinha, o clássico eufemismo para "Estamos fechando" quando, na realidade, um cliente havia pedido um lanche de maminha com gorgonzola e cancelado. Como já estava pronto, ela decidiu perguntar se aceitaríamos e, claro, recebemos muito bem. Desta vez, suculento, carne no ponto e a quantidade certa de queijo: nenhum gorgonzola sobressaiu a maminha.
Seguimos para uma Skol, infeliz decisão, mas continuamos porque sabíamos que o preço e a quantidade de garrafas iriam acarretar em uma conta muito gorda. E pedimos mais um lanche de maminha com gorgonzola e, agora, um porçao de coração de galinha.
Três rodelas de limão, corações bem fritos, limpos e, mais importante, com gosto de coração e não uma miscelânea de miúdos.
Os outros clientes começaram a deixar o bar, sempre muito satisfeitos dada a simpatia da dona e por ali continuamos. Totalizamos 12 garrafas, 3 lanches e uma porção ao final. Uma saideira, uma conta errada de 20 reais a menos cobrado (que notificamos prontamente, pedindo mais uma garrafa) e saímos de lá 3 da manhã.
Como todo boteco, a decoração é o que menos importa, contudo, latinhas de diversas marcas decoravam as paredes, 5 freezers de diversas marcas de cerveja cercavam o bar, o balcão deixavam a mostra as carnes que seriam utilizadas na preparações (e com muita desconfiança pedi aquela porção de coração, considerando a temperatura do balcão) e as mesas eram dispostas em nada mais, nada menos, que a garagem da casa em si.
Contudo, o ambiente descontraído, a rua na qual só havia casas residenciais e comércio fechado, o público de 35 anos (com ocasionais crianças acompanhadas dos pais) e o atendimento (até onde ia, considerando que o cliente quem pegava a cerveja) geraram um boteco muito receptivo. Sem o "vamos encerrar a cozinha" seguido do "mais alguma cerveja que já estamos fechando" de praxe nessa cidade, as cadeiras desconfortáveis foram utilizadas por mais tempo que eu esperava.
E, como todo boteco, as amizades de fim de noite. Aquelas que duram o exato momento em que estão sendo realizadas.
Fim de noite, petiscos gordurosos, cerveja gelada e ausência de garçom chato. Boteco original para ir com amigos, em noites quentes para não se importunar com demora de serviço. Afinal, se se está com sede, que vá pegar sua cerveja.

Passe lá:
Rua Buarque de macedo, 695
(perto da Av. Imperatriz Leopoldina)
Vila Nova -

Campinas - SP
Visitado em: 8 dezembro 2007

8.12.07

Oca Brasil Bar e Restaurante

Como qualquer boêmio de Barão Geraldo, as opções, a certa altura da madrugada, se definham como saideiras nos bares do Cambuí. Chegamos em quatro pessoas ao que parecia ser a melhor opção a 1h30 da manhã - havíamos passado pelo Seu Jorge e diante de uma animação fúnebre seguimos em frente ao que parecia ser um bar convidativo. Paramos no Oca Brasil Bar e Restaurante.
Muito maior do que eu lembrava da construção meses atrás, entrei no local com idéias maiores. E todos sabem que quanto maior a expectativa, maior a decepção. Não demorou muito a chegar.
Cinco minutos sentados, chega a mocinha, antes mesmo do garçom, mostrando comandas que deveriam ser retiradas na entrada do bar. Não pegamos porque não havia uma viva alma para entregá-las. Chega, enfim, o garçom.
O pedido foi: uma cerveja Original a R$5.20 e uma água a R$3,20.
Alguns longos minutos depois - aqueles que não se sabe contar, mas se sabe que demora mais do que o esperado - o baldinho de gelo chega à mesa com duas cervejas e a água. Gentileza do garçom que já previu que aqueles quatro clientes iriam consumir mais que uma garrafa. Rapaz sábio.
Recebemos o menu, diga-se de passagem, de costas para minha pessoa. Abri, folheando as duas páginas do extenso menu e resolvemos pedir um porção de Picanha com pão.
R$22,50.
Eu pedi uma porção de salaminho, R$10,50, que veio com extrema rapidez, inversamente proporcional à habilidade da garçonete em dispor pratos, palitos e potinho com ketchup na mesa.
Ao final da segunda garrafa de cerveja chega a porção de picanha.
Ou o que era para ser.
Diálogos efusivos sobre a origem da carne não chegaram a conclusão alguma: coxão mole, duro, contra-filé, o que seria aquela porção que chegou a nossa mesa?
Picanha não era.
E a única carne que leigos boêmicos entendem é picanha, devido ao alto conhecimento de preparo de churrasco.
O garçom foi chamado. A reclamação foi feita. E seria repassada. O gerente chegou e o ápice da noite estava ali: desculpas atrás de desculpas. Desde não conhecer bem o fornecedor até afirmar que aquele bar no qual estávamos não havia, ainda, sido inaugurado. Na realidade, era tudo um sonho. O bar não existia.
Pedidos de desculpas, um amigo muito estressado, um gerente que não creio conhecer muita coisa de empreendimentos ou gerência de bares e, finalmente, a certeza de que não pagaríamos por picanha, carne qual a procedência, origem e animal, não se sabia de fato.
O local, em si, resumia a palavra da noite: brega.
Somava tudo: graduandas da Pedagogia dançando no palco, o som que antes era MPB se transformando em pagode, a decoração que pendia entre indígena e indiana (foque no fato de que o bar se chama Oca e propõe-se a ser construído como uma), muita luz onde deveria ser meia-luz, cadeiras desconfortáveis, banheiro cheio de vômito e muito espaço para nada.
O potencial do local é enorme. Mas conseguiram fazer o impossível: transformar o que chamam de bar e restaurante em um local onde não se pode comer decentemente e nem beber a um preço razoável. Que fosse feita uma pesquisa onde indicasse que a cerveja ali não é feita de ouro.
Pontos fortes: aberto até mais tarde (mas até onde vai a vontade de sair?) e garçom experiente em servir cerveja. Queria poder falar mais.
Considerar que ir à um lugar e já saber na cara que não vai voltar é ponto forte?
Não sei se a casa abre de dia, para almoço. Mas como todo estabelecimento em Barão Geraldo, que quer agradar à gregos e troianos, não duvido que seja servido um sushi com feijoada a módicos 30 reais o quilo.
Não recomendo, a não ser que você esteja comemorando sua graduação por lá e qualquer coisa seja bem vinda, dada toda a tristeza de conhecer o mercado de trabalho que virá pela frente.

Passe longe:
Avenida Santa Isabel (logo depois do Rudá)
Barão Geraldo
Campinas - SP
Visitado em: 7 Dezembro 2007