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4.2.10

Anchieta Café Forneria Sushi Bar

Quando conhecemos alguém em quem confiamos, em termos de paladar, uma sugestão de restaurante sempre é bem vinda. Infelizmente, nunca tivera uma indicação que valesse a pena, seja daqueles nos quais confio ou não. Coisas do acaso, então, acontecem e começo a questionar tudo isso. Um vendedor de livros que conheci e que também trabalha como chef em uma hamburgueria sugeriu um sushibar em Ubatuba. Fiz a matemática e pensei: livros, hambuguer, Ubatuba, Sushi Ya San e tive a certeza de que seria a maior roubada de todos os tempos.
A propaganda do vendedor de livros/chef foi tão boa, no entanto, listando os lugares nos quais o sushiman trabalhou, no RJ e em SP, o comprometimento dele com a comida, o menu degustação a R$45, que a possibilidade de ir foi considerada. Mas, desta vez, não iria no escuro. Pegamos o flyer do local e a foto parecia de choperias daqui de Campinas e jamais consideraria entrar pois parecia um daqueles lugares com duo de violão e voz com releituras de músicas da Ivete Sangalo e da Ana Carolina.
Então ligamos no Anchieta Café, que também é forneria, para falar diretamente com o Artur e saber se a propaganda estava de acordo. Não conseguimos falar com ele pois estava comprando peixes. Felicidade grande, afinal, se resolvêssemos ir, peixe fresco estava garantido. Ligamos de novo e Artur, muito gentil, disse que os peixes do dia eram pargo, olho de boi e salmão. E que o menu degustação consistia em missoshiru, guioza, yakisoba, shimeji, sushis e sashimis, lula e polvo.
O atum, no entanto, não estaria presente, assim como a recém descoberta sororoca, mas o peixes, estes, eram do dia. Então, com uma expectativa baixa e acredito, real, fomos para o suposto fantástico menu degustação do Anchieta Café Sushibar Forneria e, o que confirmei, com couvert para a banda que fazia releitura de músicas.
Sentamos no balcão, de frente para o suhsiman e seu ajudante, da forma como queríamos, afinal, quem é fã de comida japonesa e trabalha em cozinha, adora acompanhar o trabalho do profissional e, se possível, perguntar sobre os pratos.
Prontamente fomos atendidos por ele, avisando que havíamos ligado e falado com o amigo vendedor de livros/chef e ele pergunta se gostamos de sunomono. Eu amo de paixão e dificilmente acho um que agrade meu paladar, mas este estava doce e ácido na medida certa, com gergelim torradinho e kani. Ali eu já sabia que tudo poderia ser muito bom. Seguiu-se com o missoshiru que chegou antes do chopp e da água que pedimos. Estava bem carregado de missô, quase salgado, mas muito saboroso. Não senti falta do tofu porque não aprecio muito, mas mais cebolinha iria bem.
Bebidas chegaram ao mesmo tempo que o shimeji, também quase salgado, mas com um gosto de terra muito bom, surpreendente até. O guioza veio com um molho bem puxado no limão, o que não gostei tanto pois prefiro mais suave; a massa estava boa e o recheio interessante, mas faltando um pouco de sal - o que eu realmente não esperava dado o padrão até então.



Finalmente, então, chegaram os peixes. O primeiro prato foi um carpaccio de polvo, salmão e pargo, temperados com azeite, ovas e um tempero japonês que não me recordo o nome mas que eu poderia jurar que tinha cominho. Muito delicado e muito saboroso. O polvo estava com a cocção perfeita.
Os sashimis seguiram com fatias de salmão - bastante fresco, olho de boi, pargo com um pedaço da pele por cima, polvo e uma lula crua em fatias finas temperadas com um molho de pimenta com gostinho de defumado. Surpreendente. A lula feita desta forma possui uma textura diferente e potencializa o sabor de forma que nunca tinha sentido antes.
Estava curiosíssima, então, para saber se o arroz estaria bem temperado e bem cozido. Minha expectativa neste momento estava altíssima e fiquei muito feliz ao experimentar os niguiris e notar como todos os grãos estavam cozidos de forma igual assim como o tempero estava corretíssimo.
Os sushis seguiram com acelga e molho tarê - este muito fluido e doce na medida certa, pargo com shimeji muito delicado, proporção correta de arroz e peixe nos hossomakis, crocância deliciosa nos uramakis de skin e o hot roll com a casquinha mais saborosa que eu já comi.



O menu degustação foi finalizado com um niguiri de lichia, muito equilibrado e delicado, se fazendo de sobremesa e que fechou o que foi a melhor refeição que já fiz. Não afirmo isso pela qualidade e frescor de tudo, nem pelo tempero adequado e apresentações lindas mas também pelo comprometimento em fazer uma comida de respeito. O atendimento feito pelo sushiman, sempre perguntando se estava bom, ou o que gostaríamos de comer e a dedicação em servir a melhor comida possível fez com que esse sushibar me surpreendesse além de qualquer restaurante que já fui, especialmente os vários japoneses que frequento.
Não quero nem entrar nos detalhes da casa, com o pior atendimento de garçons que já vi - com uma equipe de cinco pessoas que mais ficavam conversando entre si do que prestando atenção no salão, a falta de climatiazação, ou a dificuldade para conseguir uma água. Prefiro me ater a maravilhosa experiência que tive e que, de tão fantástica que foi, nos fez voltar lá no dia seguinte.
E que bela indicação do nosso amigo vendedor de livros/chef de hambugueria!



Passe lá (só no sushi bar):
Anchieta Café

Rua Tamoios, 63
Ubatuba - SP
(12) 3833-4232

Samurai Mix

É difícil afirmar o que vou afirmar agora, ainda mais depois de ter comido, anos atrás, algo que chamaram de sushi e era, na verdade, alga envolvendo arroz papento e quente envolvendo atum de lata, mas lá vai: o pior sushi e sashimi que já comi na vida está no Samurai Mix.
Amigos me chamaram para acompanhá-los no jantar e lá fui eu, reticente com uma volta ao Samurai Mix (havia ido lá quando inaugurara) mas com vontade.
A casa trabalha, agora, com sistema de rodízio, que é, na verdade, self-service de comida japonesa e chinesa. O preço de R$25 por pessoa é convidativo, assim como questionável. Achei mesmo que a barca era furada, mas entrei na fila.
Primeiramente vi niguiris de atum e uramakis de salmão. O atum me assustou: estava com uma película por cima, parecia charque pela cor e não sei se algum dia vi um peixe tão passado quanto ele. Passei longe.
Dei meia volta, e entrei na fila para ver o buffet desde o começo. Assustador!
Hossomakis de salmão e rúcula empilhados, hot rolls cheio de massa embaixo de uma lâmpada quentíssima e hossomakis de pepino que gritavam com o calor. Seguiam alguma fatias de salmão, também aquecidas, mal cortadas, velhas e com aquela cor medonha. Os rolinhos primavera encharcados de gordura e recheados com muito repolho acompanhavam um molho que não sei afirmar extamente qual era a cor, mas tenho certeza que da receita original só mantiveram o nome.
Na mesma bancada outras frituras nojentas acompanhavam como cebolas empanadas e guiozas fritos. Achei ter visto algo parecido com coxinha por ali, mas preferi não perguntar.
Logo em seguida vi o sushiman cortando o salmão. O medo! Em uma vasilha de plástico ele mantinha diversos filés de salmão, um em cima do outro, escolhia um e fatiava ao lado das horrorosas lâmpadas de aquecimento desnecessário. Não me contive e coloquei minha mão na vasilha de salmão só pra checar a temperatura. E não, não estava fresco. Mas como não queria estragar o jantar dos amigos, apenas disse que estava tudo ok.
A parte a seguir era reservada a comida quente, mas eu já estava saturada só de assistir os pratos até então. Não tive coragem de pegar o shimeji e passei longe daquilo que eles chamaram de yakisoba.
Por fim escolhi dois niguiris de peixe branco, dois ninguiris de salmão, 3 fatias de salmão (as menos mortas), um rolinho primavera, sunomono e um hossomaki de pepino.
Comi o sunomono. Comi um niguiri de salmão e me surpreendi por não ser o salmão a pior parte, mas sim o arroz, que além de mal cozido (grãos moles e grãos duros na mesma peça) estava com cheiro de mofo. Mofo! Segui para o sashimi de salmão e estava assim como eu achei que estaria.
Então, parei.
Ninguém me perguntou porque não queria comer mais, mas continuei a conversar bastante e todos pareciam estar felizes com os pratos.
O que me dói é que o lugar estava lotado. Eu fico imaginado que ou sou chata e exigente demais ou as pessoas não sabem comer. E todos pareciam muito satisfeitos.
Eu fiquei com nojo. E com medo de como aquele buffet estaria as 11 da noite, com as lâmpadas e as frituras.
Da primeira vez que fui e esta, só posso afirmar que a casa conseguiu piorar o que eu já achava péssimo. E se um dia eu voltar, vou ficar bebendo água - se vier gelada desta vez.

Passe longe:
Samurai Mix
Rua Paula Lobo, 57
Campinas - SP
(19) 3251-6400
Aberto de Terça a Domingos e feriados

Sushi Ya san

Depois de alguns dias na praia, aquela vontade por comida japonesa bateu forte. Logicamente que sei que na praia não há de se encontrar restaurantes japoneses bons, mesmo considerando o fator de peixe fresco nas redondezas. Mesmo assim, não achei que poderia ser ruim.
Fomos em dois no Sushi Ya San, em Ubatuba, matar a vontade de guiozas, gohan, sushi, sashimi - estava sonhando com um bom atum - e munidos de uma expectativa bem baixa.
O local fica na parte de cima de uma loja de calçados e parece bem intimista `a primeira vista; ambiente todo em madeira, pequeno, luz baixa e som agradável. A garçonete nos deixou escolher a mesa e logo levou o cardápio. Este, não muito variado e extremamente caro nos fez demorar bastante a escolher, decidindo entre um combinado gigante ou pequenas porções.
A demora fez com a garçonete ficasse mal humorada e com certa resistência ao responder nossas perguntas. Coisas como "o peixe está fresco?" ou "com quais peixes vocês trabalham?". Quando a resposta veio "linguado, sororoca e atum" a felicidade tomou conta e decidimos que ao invés de pedirmos o combinado onde podia escolher os peixes e sushis, foi decidido escolher o super mega combinado de quase R$200. O pensamento era "tudo fresco e em bastante quantidade".
Antes que pensem que valorizo a quantidade, posso afirmar que depois do Ryuu, em Campinas, a noção de rodízio ou degustação como chamam agora, foi alterada. Especialmente porque tudo o que como em bastante quantidade, vem em alta qualidade. Fato que não ocorreu no Sushi Ya San, em ambas categorias.
Após o pedido, a garçonete irritada levou os cardápios e esqueceu de oferecer qualquer coisa para beber. Difícil foi chamá-la de volta para conseguir uma água e uma cerveja.
O pedido chegou depois de muita demora - me pareceu que pessoas que lá chegavam para pegar o delivery eram passadas na frente. A fome já era tanta que não houve conversa, somente o comentário do quão fresco os peixes pareciam estar. Ponto para eles.



No mar de salmão que veio, vi 5 fatias de atum. Cinco! Linguado e sororoca estavam lá também e este último foi a única boa surpresa da noite: delicioso, gorduroso e com textura similar ao peixe-prego. O atum, em quantidade de degustação como se fosse um verdadeiro torô, estava fresco e na espessura correta e, logicamente, não matou a vontade.
O sushiman tratava o atum como relíquia em sua área de trabalho, embalando em filme plástico e desembalando, de acordo com o uso. Nos questionamos sobre o pedido do combinado onde podia-se escolher os peixes e depois concluimos que provavelmente não teríamos mais atum, teríamos muitas fatias finas de atum.
As peças de sushi estavam razoáveis, notavelmente sem tempero correto ou cocção adequada, mas não foram as piores que já comi.
Sai de lá na certeza de que havia gastado uma quantia de dinheiro que não se aplicava a qualidade da casa, muito menos ao atendimento, menos ainda a composição do combinado.
E isso porque minhas expectativas estavam baixas.

Passe longe:
Sushi Ya San
Av.Guarani, 736 - Itaguá
Ubatuba - SP
(12) 3832-1405
Aberto de 5a a Domingo, a partir das 19h30

12.12.09

Aroma Árabe

Não posso afirmar que conheço todas as culinárias, muito menos que as entendo. Das que entendo, consigo recriar baseada no que sei e reproduzir o clássico. A culinária árabe é aquela, no entanto, que fico boquiaberta - e feliz - por não conhecer e sempre me surpreender com os sabores.
O leigo diria que tem-se como base o hortelã, kafta, babaganuche, homus, pão pita e zátar (zaatar).
Eu diria o mesmo!
Estou fascinada com restaurante que me proporcione rodízios/degustações a preços interessantes e que me introduzam sabores novos. Sempre fui curiosa pela culinária árabe, mas nunca me aprofundei no assunto. No entanto, tive uma experiência interessante no Aroma Árabe.
Cheguei para almoçar em um horário péssimo (para quem trabalha no restaurante): 14h. O sistema da casa funciona com um preço para o pequeno rodízio (que inclui um self-service e pratos pedidos na mesa) e o rodízio completo (tudo na mesa); dado o horário, a garçonete sugeriu, muito honestamente, que escolhêssemos o rodízio completo pois assim teríamos uma comida mais fresca, feita na hora. Decidido pela sugestão dela, então.
E que ótima sugestão!
A comida estava sendo feita na hora pois conseguia ouvir o barulho da cozinha e não havia mais nenhum cliente no recinto.
O couvert incluia pães quentinhos e uma trilogia de babaganuche (pouco temperada), homus e coalhada seca, em um textura exuberante e saborosíssima. Minha fome estava quase morta ali.
Mas seguiu-se kafta, com delicioso gostinho de leite, charutinhos de folha de uva, arroz com lentilha, falafel (muito seco) e a maravilhosa abobrinha recheada. Esta, até hoje, com o sabor indescritível na minha cabeça.
A conta não deu 35 reais para cada um e pude comer muito, sempre me questionando o tempero usado. Milhões de questões na cabeça, sem saber de onde vinham aqueles sabores estranhos e deliciosos. Uma cozinha sem medo de ser de raíz, original e para aqueles que apreciam sua culinária.
Uma vez que Papai Salim não satisfaça mais, o Aroma Árabe proporciona melhor atendimento e uma cozinha peculiar, que não tem medo do cliente que não conhece seu sabor. A cozinheira chef, diz-se, está na área há 27 anos.
Nada melhor que ser bem servido, com comida diferente e feita na hora.
Inspirador.

Passe lá:
Aroma Árabe
Av. Júlio de Mesquita,73
Campinas - SP
(19) 3255-8251

Ryuu

Assim como já achei que entendia muito de botecos, também já achei que entendia muito de restaurantes japoneses. Ao menos os de Campinas. De todos que existem na cidade, posso afirmar que não fui em apenas dois.
Felicidade a minha quando me deparei com o Ryuu.
Tinha como o melhor Matsu, independente da Veja o classificar como o melhor.
Ryuu abriu suas portas em junho de 2009 e vi a festa de inauguração de longe pois sempre passo perto do local na volta do trabalho. Comecei a notar a propaganda em alguns veiculos da mídia mas a minha curiosidade persistia simplesmente por ser um novo restaurante japônes na cidade e eu queria saber se era bom ou não.
Para mim, restaurante que se presta a servir comida japonesa tem, no mínimo, que ter peixe fresco. Nem me arrisco a exigir karê ou qualquer outro tipo de comida típica que não seja o sushi e sashimi, mas quero, ao menos, que façam o básico e bem feito.
A decoração do lugar me atraiu porque é cool demais, moderninha demais, diferente demais para ser algo bom. E eu tinha que conhecer, com o medo gritante que seria mais uma baladinha/restaurante estilo Kindai.
A primeira vez que fui foi em um almoço de sábado. Cheguei e me sentei nas mesas do fundo onde o ar condicionado parecia mais potente. A casa trabalha com menu degustação o que, achei a princípio, um eufemismo de rodízio. Ledo engano.
O Ryuu trabalha com o conceito de degustação no sentido de pequenas porções, podendo ser repetidas a bel prazer, em sequencias com um tempo admissível entre um prato e outro, de forma a deixá-lo com vontade de comer o próximo prato sem se estafar.
Caso se peça a degustação - o que é de longe a melhor opção - pode-se ter sunomono ou uma saladinha de primeira entrada. O garçon logo pede se o temaki é desejado e qual peixe se quer - salmão, prego ou atum - e se guarnecido com cream cheese e cebolinha. O pedido sempre é atum e cebolinha sem cream cheese.
Segue-se o rolinho primavera com o molho mais delicado que já comi, agridoce no ponto que deve ser, juntamente com wonton de cream cheese - este sim, delicioso com o quejo.
O prato de sushi e sashimi chega, devidamente escolhido anteriormente pelos clientes. A escolha sempre é peixe prego e atum, fresquíssimos e um pouco de salmão, sempre muito bom também.
O camarão empanado chega com o mesmo molho do guioza (antes terrível, mas depois da terceira vez estava apimentado e delicado como deve ser) e segue com o salmão levemente grelhado com gergelim preto e branco e um crocante de batatas.
Esse prato eu sempre passo porque ocupa espaço demais no estômago e é batido além da conta.
Quando os sushimen estão inspirados, pode-se receber uma porção de peixe prego levemente grelhado com molho apimentado de abacaxi (que eles devem achar que é um super segredo mas eu mesma já comprei em um mercado na Liberdade em São Paulo) ou então um fantástico pseudo-cebiche de prego com a péssima, porém coerente, maionese, limão e gengibre. Uma surpresa boa e rara por lá (das cinco vezes que fui, comi apenas uma vez).
O shimeji e shiitake na manteiga e, o que eu acredito, um pouco de missô e shoyu estão disponíveis sempre, a não ser que o despreparado graçon afirme que não se encontra mais no mercado até o prócximo garçon lhe trazer uma porção.
O diferencial, assim como escrevem no menu, é o shoyu. Na verdade, afirmam que a garrafinha de shoyu diferencia um restaurante de outro, e a deles é linda. Mas o mais importante é seu conteúdo e nela está um shoyu que não é puro e sim misturado com outros ingredientes que consigo quase afirmar que sei quais são, mas não me arrisco.
De sobremesa, vá com o Melona de melão, morango, banana ( o preferido) ou outro sabor que não me lembro.
O ambiente é delicioso, extremamente aconchegante, com opções de bebidas alcoolicas (Stella Artois a R$4,00) e sucos fresquinhos.
Ryuu se propõe a servir o básico e o original. O peixe, sempre fresco, chega na casa com frequencia alta, aquela que garante que não se morda um pedaço lindo de sashimi congelado. E sempre pode-se contar com o delicioso peixe prego, para mim, a melhor combinação com o atum.
Almoço ou jantar, o atendimento sempre será muito bom e a casa sempre cheia.

Passe lá:
Ryuu
Av. João Mendes Jr., 427 - Cambuí (paralelo a Norte-Sul)
Campinas - SP
(19) 3325-4101
Aberto para almoço e jantar - Terça a Domingo

11.7.08

Bar do Spaguette/Scooby

Tenho duas lembranças fortes do Scooby: primeira, quando este se chamava Scooby ainda e eu ia para lá ao invés de assistir aula do cursinho. A segunda foi quando me formei na faculdade e por motivos socialistas não tive uma festa de formatura e fui comemorar por lá. A primeira lembrança é de um bar que ficar aberto o dia todo e, de dia, poucas pessoas estão por lá, ainda mais em dia de semana. O sol da tarde é gostoso, o bar está limpo e a cerveja gelada. A segunda lembrança me remete à baratas no chão, putas, travestis, bêbados, pedintes e loucos de forma geral sentados na mesa ao lado, ou apenas como transeuntes do bar.
Voltei lá na quarta-feira durante um jogo do São Paulo. O bar é reduto de sãopaulinos e, por conseguinte, eu era uma das poucas mulheres por lá.
Sem problema algum, mesa cativa, jogo na TV, pessoas ensandecidas, cerveja gelada e muito dos personagens da segunda lembrança marcante. As baratas, no entanto, não estavam presentes. Mesmo assim, não me arrisquei a pedir nada da cozinha, mesmo ela a minha vista e o cheiro de bacon provocando meu estômago.
Pela ausência feminina em massa, o banheiro ainda tinha papel higiênico e o chão estava limpo. Pela presença masculina em massa, as brigas aconteceram.
O Spaguette, ou Scooby, como eu ainda me refiro, é um boteco clássico, daqueles que as pessoas podem terminar a noite e iniciar sua manhã bem embriagados. Caso queira ir sem esbarrar com as pessoas da noite, aquela fauna que faz parte dos botecos das 3 da manhã, passe lá entre 7 e meia noite. Caso contrário, a visão é péssima, os bêbados amigos querem ficar seu amigo e a cerveja nem tem mais sentido.
Muito menos o lanche de pernil.
Mas ainda é o clássico boteco para o qual se recorre quando a névoa da cerveja não se esvai e tudo o que se quer é continuar bebendo. Sem ligar muito para a fauna cativa do local.

Passe longe:
Bar do Spaguette/Scooby
Av. Júlio de Mesquita com Rua Benjamin Constant
Campinas - SP
Courvet médio: R$15,00
Aberto praticamente 24h

5.7.08

Empório do Nono

Barão Geraldo hoje em dia possui diversos bares para todos os tipos de gostos (mas sem exageros). O Empório do Nono, no entanto, existe desde que o bairro tinha mais barro que bares e continua no mesmo lugar, com a mesma clientela fiel e os maravilhosos petiscos que acompanham a cerveja ou o chopp gelados.
O Nono, como os mais chegados chamam, possui cadeiras na calçada e um ambiente interno aconchegante, bom para os dias de frio. O bar sempre está lotado, em sua maioria por pessoas na faixa dos 30 anos (e mais) e alguns jovens perdidos que tenham mais dinheiro no bolso. Realmente, não é um boteco barato, mas compensa quando o que se pede é o tira gosto de balcão, porção que vem 3 ou 5 petiscos diversos que ficam expostos no balcão - desde azeitonas e queijos, até berinjela empanada com tomate seco. É possíver beber Original, Serramalte e Norteña e o chopp da Brahma.
Os garçons são sempre muito atenciosos embora os mais novos por lá não tenham o mesmo jeito cativante dos que tem anos de casa.
Logicamente, quando te avisam que a cozinha está fechando, em aproximadamente 40 minutos o bar também fecha ou o serviço fica lento para conseguir mais cerveja. A saideira não é costumaz a não ser que você tenha gasto por volta de 200 reais na conta total da mesa.
O Empório do Nono é ideal para happy hour, para uma passada rápida antes de ir para um bar mais agitado e até mesmo para curtir um show com músicas do Chico Buarque toda última quinta-feira do mês. Vá pelos petiscos, pela conversa com amigos interessantes, pela visão da avenida logo à frente. E com dinheiro no bolso.

Passe lá:
Empório do Nono
Av. Albino J. B. de Oliveira, 1128
Barão Geraldo - Campinas
Couvert médio: R$30,00

http://www.emporiodonono.com.br/index.htm

Bar do Jair

O Bar do Jair está em Campinas desde 1989. Eu conheço o bar há pouco tempo mas cheguei a frequentá-lo antes de passar por reforma e ficar gigantesco. O interessante desta reforma é que, mesmo bem grande, o Bar do Jair mantém a atmosfera de boteco e, melhor, de boteco de faculdade. É possível ver todas as figurinhas da Unicamp por lá, bebericando uma cerveja e se deliciando com a maior variedade de baixa gastronomia que já vi. O bar era conhecido pela maravilhosa coxinha de frango e, diante da demanda, creio, criou diversos outros tipos da iguaria, desde a de carne seca até a de berijela para os sempre presentes vegetarianos.
Eu recomendo, no entanto, o lanche de pernil, obrigatório para minha pessoa toda vez que resolvo ficar lá por algumas horas. O atendimento é rápido se você está sentado em uma mesa perto do balcão, mas, de forma geral, os garçons são eficientes (e parecem se divertir tanto quanto os clientes quando a banda começa a tocar).
O ambiente é decorado com bandeiras, uma TV enorme para jogos de futebol, um canto para bandas diversas e muito boas, mesa de sinuca, um banheiro em cada canto do bar e muitas mesas.
O bar, no entanto, fecha cedo, e à uma da manhã já se ouve que a cozinha e o bar estão fechando. Não muito difícil se receber a conta antes de pedí-la. Mas a saideira sempre vem, se se pede com jeitinho para algum garçom de bom humor.
Estacionar o carro é um sufoco se se chega tarde (vulgo 9 da noite), sentar na parte nova com bandas muito empolgadas não permite conversas e erros de quantidade de cervejas na conta acontecem frequentemente. Mas ir com os amigos, comer muito bem e aproveitar esse tempo até ser mandado embora vale a pena.

Passe lá:
Bar do Jair
Rua Eduardo Modesto, 212
Barão Geraldo - Campinas -SP
Couvert médio: R$20,00

http://www.bardojair.com.br/bar.htm

29.4.08

Sabor do Sul (Bar do Seu Pereira)



O Sabor do Sul, para aqueles que o visitam com mais freqüência, ou para aqueles que como eu ao se sentirem confortáveis em um bar já se sentem amigos do dono, é chamado mais informalmente de Bar do Seu Pereira.
O lugar é um empório/restaurante que parece uma antiga vendinha de produtos onde, no lugar dos produtos de limpeza, tem-se diversos tipos de cerveja. O solícito Seu Pereira, assim como seus garçons, explicam detalhadamente qual o tipo de cerveja pode ser bebido de acordo com seu paladar ou sua curiosidade.
Eu, muito curiosa e sedenta por conhecimento, comecei com a Colorado de Ribeirão Preto, passei para Wiehenstephaner, depois para uma Heineken long neck porque nenhum dos homens da mesa queriam continuar bebendo.
O bar do Seu Pereira fica sozinho na rua, aberto até à uma da manhã de terça a domingo e deixa mesinhas na calçadas que são uma delícia para acompanhar o não-movimento da rua.
A idéia de cidade de interior, com o dono do bar conversando com os clientes quando requisitado, a cerveja no ponto certo e com uma variedade incrível deixam o Sabor do Sul propício para fins de tarde e começos de noite apropriados para conversas com amigos.
O local faz propaganda de almoço, como feijoada de 4a e sábado mas posso dizer que à noite o clima é realmente convidativo. E para não faltar conhecimento ao conhecedor e curioso das diversas cervejas que o empório vende, são oferecidas degustações com pequenas palestras ao preço de R$15,00.
Vale a pena matar a sede pelo conhecimento. Muita sede.

Passe lá:
Empório Sabor do Sul
Rua Coriolano, 969
Lapa - São Paulo
11-3801-8259
Visitado em 26 Abril 2008

17.12.07

CB BAR



Cheguei em São Paulo e em contato com amigos que não via há algum tempo, fui informada da noite que seria servido o lanche que Elvis tanto adorava, o qual foi atribuído sua morte (e sua obesidade). Nada mais que um pão francês com bacon frito, pasta e amendoim e geléia de uva.
Como uma pessoa que estuda Gastronomia, é mais que dever experimentar tudo; não pedi um lanche para mim, mas dei duas mordidas no famoso colosso calórico agridoce que era o lanche do Elvis.
Posso afirmar que, sim, é muito bom, se você gosta de pratos agridoces, brie com mel, molho tarê, caramelo balsâmico e por aí vai. Um amigo não conseguiu terminar o lanche, enquanto o outro finalizou em cinco minutos.
Cheguei bem cedo, por volta das 21h30 o que, para um bar, não é muito interessante em termos de curtição, mas ótimo para aquisição de mesas privilegiadas.
Atendimento peculiar, com uma garçonete deveras mal humorada - que fui saber depois ser a mais legal do recinto. Cervejas variadas, a preços modestos considerando a cidade de São Paulo (Stella Artois e Dos equis por R$6.50). Meu lanche escolhido foi o Do chef, hamburguer de 200gr, com queijo gruyere e pimenta jalapeño e batatas fritas por R$16,90. Hamburguer fantástico, pão macio mas pouco queijo. A batata parecia ter sido feita por alguém que não faz idéia do quão importante a temperatura do óleo é para fritura.
Por volta de meia noite o bar começou a encher, as duas a banda Moptop entrou sem deixar muita gente empolgada, mas no meu passeio até o palco, notei alguns poucos fãs tirando foto. Eu inclusa.
O CB BAR é um típico inferninho, sem janelas, com banheiro pequeno e sempre ocupado (embora bem perto da porta, ao contrário do masculino, o qual tinha que atravessar toda a platéia para chegar) e muito barulho. Um dos tipos de lugares que mais gosto, diga-se de passagem.
Fui embora às 3 da manhã, deixando muito dinheiro no caixa mas com a sensação de que o lugar me agradou demais. Seja pelo filme do Elvis que estava passando no telão, os quadros de filmes trashs que decoravam as paredes, o atendimento rápido no balcão e até a garçonete que, entre diversos bêbados na pista, conseguia trazer a cerveja gelada até nossa mesa. Mas com certeza não foi pelo set do João Gordo, que depois de famoso, acha que pode colocar músicas pitorescas só porque acha que é bacana. Não é.

Passe lá:
Rua Brigadeiro Galvão, 871
Barra Funda - São Paulo
Tel 11- 3666-8971
Visitado em 14 Dezembro 2007

14.12.07

América

O que é comer em um quilo chique, não?
Não estou reduzindo o America à apenas um restaurante de comida à quilo, mas na hora do almoço, shopping lotado, foi a opção escolhida. A dica foi do meu irmão que ao dizer que o bufê de saladas era ótimo, me fisgou na hora.
Depois de decidir qual a opção da refeição (através de um cardápio um tanto complicado), escolhi o bufê de saladas com um prato quente (filé mignon com batatas grelhadas e creme de espinafre) por R$29,90.
Realmente a variedade era grande, com cuscus marroquino, enroladinhos de abobrinha com tomate seco, tabule com quinua, alcachofra com alfafa e um molho de azeitona. Tudo muito chique, diga-se de passagem. Peguei tudo isso mais aspargos, que estavam perfeitamente cozidos. O prato chegou e meu filé mignon me remeteu à uma imagem de desenho: quando algum caminhão passava em cima de um personagem e ele ficava fino como papel, cheio de marcas de pneu e com aquela cara de morto. Mas o creme de espinafre estava com um sabor delicioso, apesar do aspecto e cor de fralda suja de neném.
Como ultimamente vem acontecendo, o atendimento dos garçons foi ótimo e ao pagarmos a conta nos foi colocada a opção de pagar 10%, o que fizemos.
Como um restaurante conceituado, o América é um ótimo restaurante por quilo.
E como restaurante por quilo, o América é um restaurante conceituado demais.
Vale a pena como opção para quem quer variar as saladas em restaurante por quilo (pois oferece a opção só do bufê de saladas) e não se preocupa com preço. Eu fui em um almoço de família e quem fez as honras foi meu pai, mas, para um almoço, R$160 é um pouco abusivo.

Passe lá (se necessário):
Shopping Pátio Higienópolis
Av. Higienópolis, 618 ou R. Dr. Veiga Filho, 133
Higienópolis - São Paulo - SP
Visitado em: 14 Dezembro 2007